O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, participa hoje de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A audiência ocorre em meio a uma investigação sobre práticas do Brasil que são consideradas “irrazoáveis” e a possibilidade de implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Durante a audiência, Flávio expressou sua oposição à nova tarifa e planeja argumentar contra a medida. O senador afirmou que seu objetivo é evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se beneficie politicamente da situação, utilizando a narrativa de defesa da soberania nacional como trunfo em sua administração.
Flávio, que é aliado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que não tem a intenção de encerrar a investigação. Ele acredita que a imposição das tarifas beneficiaria o governo brasileiro. Entre as acusações que o USTR levantou contra o Brasil estão ordens judiciais que exigem que empresas norte-americanas de mídia social retirem conteúdos políticos e bloqueiem perfis, incluindo de residentes nos EUA.
O Brasil também enfrenta críticas por dificultar a atuação de companhias norte-americanas de serviços eletrônicos de pagamento e por criar benefícios tarifários para o México e a Índia em setores competitivos. Além disso, o país é acusado de não combater adequadamente a corrupção e a pirataria, e de manter tarifas desfavoráveis ao etanol dos EUA desde 2017. O processo ainda menciona deficiências na aplicação da legislação contra o desmatamento ilegal.
No pedido para participar da audiência, Flávio deixou claro que sua posição é firme e defendeu a continuidade da investigação. “Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, destacou o senador.
Outro participante da audiência, o empresário Paulo Figueiredo, que é conhecido como apoiador da família Bolsonaro, também se manifestará contra a tarifa. Ele alertou que a proposta de taxação puniria as vítimas da conduta que originou a investigação, ao mesmo tempo em que fortaleceria os responsáveis por essa conduta.
A proposta de tarifa de 25% sobre as importações brasileiras surge como uma resposta a práticas avaliadas como “irrazoáveis” pelo governo dos Estados Unidos. A questão, que está relacionada à investigação sobre o sistema de pagamentos Pix, será debatida em audiências públicas, e a decisão final ficará a cargo de Donald Trump.

