A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem a responsabilidade de julgar processos relacionados ao caso Banco Master, terá um novo presidente a partir de agosto. O ministro Luiz Fux assumirá a presidência da Turma, substituindo Gilmar Mendes, que encerra seu mandato. Essa mudança é parte do sistema de rodízio estabelecido no Regimento Interno da Corte.
A mudança acontece em um momento significativo, já que novas etapas da investigação do Banco Master ainda precisam ser analisadas pelos ministros. Fux será responsável por conduzir as sessões, organizar a pauta de julgamentos e determinar a ordem em que os processos serão discutidos no plenário da Turma durante o próximo ano.
Gilmar Mendes, ao deixar a presidência da Segunda Turma, destacou que as divergências no caso Master não refletem desunião no STF.
A presidência de cada Turma do Supremo é exercida pelo membro mais antigo que ainda não ocupou a função, com mandato de duração de um ano. Além de presidir as sessões e guiar os debates entre os ministros, o novo presidente terá responsabilidades administrativas que afetam diretamente o andamento dos processos. Isso inclui a definição das datas de julgamento e a organização da pauta, o que pode impactar o ritmo de tramitação das ações no colegiado.
A troca de presidência ocorre após um período de divergências públicas entre Gilmar Mendes e o relator do caso Banco Master, o ministro André Mendonça. Recentemente, Mendes intensificou suas críticas à forma como a investigação tem sido conduzida, especialmente em relação à participação de Mendonça nas tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro, que é ex-dono do Banco Master e foi preso pela segunda vez em março de 2026.
Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, Mendes afirmou que a atuação do relator contraria as regras que regem os acordos de delação premiada. “A lei não permite que o relator participe ou o juiz participe da delação”, declarou. “O acordo é entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui já há algo de erro crasso.”
O desgaste entre Mendes e Mendonça já havia se tornado visível antes, durante um julgamento sobre a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Naquele momento, Mendes defendeu a substituição da prisão por uma medida domiciliar, mas foi vencido. Ele aproveitou a oportunidade para criticar a condução do caso, fazendo referências à Operação Lava Jato.


