O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil da Seção de São Paulo (OAB-SP), Leonardo Sica, esclareceu nesta quinta-feira (25) sobre os procedimentos adotados em relação à advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Sica destacou que o trabalho da instituição visa “cumprir a sua missão legal”.
Na quarta-feira (24), a OAB-SP informou que seu Tribunal de Ética decidiu suspender Deolane do exercício profissional. De acordo com Sica, a punição pode durar de 90 a 360 dias.
“Nesse período, o Tribunal de Ética vai fazer o julgamento, que pode terminar em condenação, suspensão, exclusão e absolvição”, acrescentou.
O presidente da OAB-SP afirmou que o procedimento disciplinar contra Deolane está sendo realizado “dentro do devido processo legal”. Além disso, a instituição acompanha o pedido de transferência da influenciadora de uma cela comum para uma cela especial.
“A lei garante que todo advogado preso preventivamente fique em cela separada, em cela especial. E, esse direito, a OAB atua para garantir a todos: todo e qualquer advogado do estado de São Paulo nessa situação tem assistência da OAB-SP, como ela teve”, explicou.
Sica também ressaltou que a OAB cumpriu seu dever de “proteger a prerrogativa de todo advogado” e “aplicar o código de ética” aos seus associados. Ele afirmou: “Talvez fosse mais fácil a gente não ter feito nada. Mas nós não estamos aqui para fazer as coisas fáceis. Nós estamos aqui para fazer as coisas certas. Enquanto a gente estiver aqui, a gente vai continuar a fazer as coisas certas.”
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Deolane Bezerra foi um dos alvos da Operação Vérnix, deflagrada em 21 de maio pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane teria atuado como “caixa” da facção e recebido valores oriundos do PCC através de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da organização criminosa.
Além de Deolane, outros alvos da operação incluíram Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e seus familiares, que estão envolvidos nas investigações relacionadas ao PCC.
A Justiça já expediu seis mandados de prisão preventiva e bloqueou mais de R$ 327 milhões em bens. Também foram sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis ligados aos investigados.
A apuração teve início em 2019, após a apreensão de documentos que revelaram a estrutura interna do PCC e ordens da cúpula da facção.
As investigações indicam que a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, foi utilizada para ocultar e movimentar recursos ilícitos. A empresa teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com discrepâncias significativas entre os valores declarados e as movimentações financeiras identificadas.
Conforme o relatório policial, Deolane Bezerra teria utilizado sua estrutura financeira para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
