Previdência, segurança e infraestrutura têm origem comum, diz ministro Augusto Nardes. Para ele, ciclos eleitorais impedem o país de avançar com políticas de longo prazo.
Os temas previdência, infraestrutura, segurança pública e corrupção são frequentemente discutidos de forma isolada em Brasília. Contudo, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, acredita que todos esses problemas têm uma raiz comum: a falta de planejamento de longo prazo.
Em uma entrevista recente, Nardes destacou que o Brasil se afastou da elaboração de projetos de Estado, optando por focar em agendas de curto prazo que são moldadas pelos ciclos eleitorais. Essa falta de visão a longo prazo, segundo o ministro, tem gerado um grande impacto na execução de políticas públicas, dificultando o progresso em áreas que são essenciais para o desenvolvimento do país.
Nardes enfatizou a necessidade de se adotar práticas de governança na administração pública e mencionou exemplos positivos de implementação em alguns Estados. Ele reiterou a importância de se criar uma política nacional que direcione essas práticas, lembrando que um projeto de lei que estabelece diretrizes para a atuação conjunta da União, Estados e municípios, aprovado pela Câmara dos Deputados em 2017, ainda aguarda votação no Senado.
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“O planejamento é fundamental para que possamos avançar em questões que afetam diretamente a população”, afirmou Nardes.
Outro ponto abordado pelo ministro foi a situação da previdência, que ele considera o principal desafio do Brasil. Ele projetou que o déficit do INSS pode chegar a R$ 320 bilhões em 2025, o que requer um planejamento mais robusto e uma atenção que, segundo ele, tem sido insuficiente até o momento.
Nardes também comentou sobre a complexidade das fronteiras brasileiras, os efeitos de escândalos financeiros envolvendo instituições como o Banco Master e as possibilidades de novos mecanismos para combater a corrupção. Além disso, ele mencionou suas considerações sobre deixar o TCU antes do término de seu mandato, levantando questões sobre a estabilidade e a continuidade do trabalho no tribunal.
A entrevista completa pode ser conferida na Edição 327 da Revista Oeste, onde Nardes discorre sobre outros temas relevantes para a política e a administração pública brasileira.

