Investigação da Operação Compliance Zero avança lentamente. Dos oito celulares de Daniel Vorcaro, apenas cinco foram periciados. Outros 60 aparelhos eletrônicos aguardam análise.
A Polícia Federal (PF) ainda não concluiu a perícia de ao menos três celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação, que tem se mostrado extensa, envolve também a análise de cerca de 60 aparelhos eletrônicos apreendidos durante a Operação Compliance Zero. Com o ritmo atual, a PF estima que o trabalho de análise pode se estender até 2027.
O volume de apreensões cresce a cada nova fase da operação. Durante as investigações, foram encontrados oito celulares utilizados por Vorcaro em três apreensões distintas. Até o momento, a PF já realizou a perícia total ou parcial em cinco aparelhos, sendo que o primeiro celular, apreendido na prisão de Vorcaro no dia 17 de novembro, contém a maioria dos documentos relevantes para o caso.
Além dos celulares, a PF também está examinando milhares de documentos físicos que servirão para confrontar as informações obtidas nos dispositivos. No total, foram apreendidos pelo menos cem dispositivos eletrônicos, que estão relacionados a cerca de duas dezenas de alvos da investigação. Atualmente, a apuração está em uma fase intermediária e novas etapas estão previstas.
A prisão de Vorcaro ocorreu na noite anterior à primeira fase da operação, no dia 18 de novembro de 2025, quando ele tentava deixar o país. Isso impediu que os investigados apagassem conversas, permitindo que a PF utilizasse softwares forenses para acessar os dados após Vorcaro se recusar a fornecer as senhas. As conversas recuperadas levantam suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.
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O primeiro aparelho analisado pela PF reúne arquivos com criptografia complexa. Embora a PF já tenha conseguido acessar o conteúdo, a análise ainda não foi finalizada. O cruzamento dos dados revelou que Vorcaro estabeleceu uma ampla rede de contatos com membros dos Poderes Executivo, Legislativo e do alto escalão do Judiciário.
As apurações também indicam o envolvimento de familiares de Vorcaro, sugerindo que o esquema teria contornos de máfia, segundo o relator do caso no STF, ministro André Mendonça. Mensagens e áudios encontrados nos celulares fazem referência a grupos denominados “A Turma” e “Os Meninos”, que supostamente reuniam policiais, hackers e operadores para monitorar desafetos e promover intimidações.
A defesa de Vorcaro sempre negou as acusações que surgiram a partir das investigações. Além disso, foram levantadas informações sobre pagamentos recebidos por policiais e servidores do Banco Central em troca de informações privilegiadas sobre a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A PF já tomou medidas para afastar os servidores suspeitos.
Os peritos da PF continuam analisando anotações e capturas de tela nos celulares de Vorcaro, que fazem referência a conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Contudo, Moraes negou que tenha dialogado com o ex-banqueiro. Os arquivos estão passando por uma perícia de integridade para confirmar metadados.
Em 2026, o ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli, havia retido aparelhos e restringido a análise a quatro peritos, o que reduziu a velocidade dos trabalhos. Porém, a situação mudou quando o ministro André Mendonça assumiu a relatoria e autorizou a distribuição do material entre os peritos federais, permitindo que a investigação avançasse.
