O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 mobilizou 300 mil reservistas israelenses em dias. O setor de alta tecnologia, motor da economia do país, foi um dos mais afetados pela convocação em massa.
O ataque do grupo terrorista Hamas ao sul de Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023, gerou impactos significativos na economia israelense. Esse evento não apenas causou trauma e caos, mas também afetou diretamente a força de trabalho do país, uma vez que a maioria das Forças Armadas é composta por civis. Com a convocação de centenas de milhares de reservistas, o setor de tecnologia, vital para a economia, foi um dos mais atingidos.
Em menos de uma semana, cerca de 300 mil reservistas, de diversas idades e perfis, foram mobilizados, o que impactou severamente a indústria de hightech, responsável por mais da metade das exportações de Israel. A faixa etária dos convocados, entre 23 e 50 anos, coincide com a concentração de profissionais qualificados no setor, que representa 17% do PIB e 11,5% dos empregos do país.
“As empresas de hightech enfrentaram uma maciça falta de mão de obra, porque entre 15% e 20% dos funcionários foram convocados para o Exército como reservistas”, explica Dror Bin, CEO do Instituto de Inovação de Israel.
Além disso, muitos funcionários israelenses que estavam no exterior retornaram ao país, muitas vezes sem esperar pela convocação oficial. Com a interrupção dos voos internacionais, as companhias aéreas locais tiveram que organizar voos de resgate para trazer todos de volta.
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O início do conflito gerou desconfiança no mercado global, resultando na interrupção de ciclos de captação de recursos e na suspensão de negociações. Durante meses, as viagens de negócios foram afetadas, o que prejudicou ainda mais a rotina dos empresários do setor. As previsões de uma crise severa se espalharam, com manchetes alarmantes sobre o fechamento de empresas e a saída de multinacionais do país.
No entanto, essas previsões não se concretizaram. Dados dos anos seguintes mostram que, apesar do impacto inicial, o setor de hightech conseguiu se recuperar rapidamente. O relatório da Autoridade de Inovação de Israel aponta que o ecossistema manteve sua força e, em muitos casos, superou o desempenho anterior.
Grandes corporações, como Google, Microsoft e Intel, mantiveram e até expandiram suas operações no país, com a chegada de 35 novas empresas, totalizando 511. O número de startups fundadas também se manteve elevado, com 743 em 2023 e um aumento constante nos anos seguintes.
Outro setor que experimentou crescimento foi o de defesa, com um aumento significativo no desenvolvimento de tecnologias. Segundo Amir Baram, diretor-geral do Ministério da Defesa, a demanda por inovações em defesa superou a de cibersegurança, refletindo não apenas a guerra no Oriente Médio, mas também conflitos globais como o da Rússia com a Ucrânia.
Por fim, muitos empreendedores israelenses possuem experiências de campo que diferenciam suas abordagens. Apesar das dificuldades, o caso israelense ilustra como uma crise pode ser transformada em uma oportunidade de inovação. Alon Stopel, presidente da IIA, afirma que a verdadeira vantagem de Israel reside na capacidade de pensar de forma diferente e transformar descobertas em realidade.

