O presidente colombiano rebateu comunicado da Embaixada americana em Bogotá e garantiu que não há risco para estrangeiros no país. Petro pediu que os EUA parem de 'assustar' seus cidadãos.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu ao alerta emitido pela Embaixada dos Estados Unidos em Bogotá sobre possíveis protestos e episódios de violência durante o processo eleitoral no país. Em uma publicação nas redes sociais na última sexta-feira, 19, o chefe de Estado classificou o comunicado como “desrespeitoso” e afirmou que não existe risco para os cidadãos norte-americanos que se encontram na Colômbia.
Petro criticou a tentativa da embaixada de alarmar os estrangeiros residentes na Colômbia, afirmando que a representação diplomática deveria parar de “assustar” os cidadãos dos EUA. Em um tom desafiador, o presidente declarou que “todos os colombianos e colombianas terão de decidir se trocam a bandeira colombiana pela bandeira norte-americana”.
A declaração de Petro ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, que colocará frente a frente Abelardo de la Espriella, do partido Defensores de la Patria, e Iván Cepeda, do Pacto Histórico, que é a coalizão de Petro. A embaixada dos EUA, por sua vez, informou que protestos e atos de violência podem ocorrer em diversas regiões da Colômbia antes, durante e após a votação.
Além disso, o comunicado anunciou o envio de uma equipe de segurança para acompanhar o processo eleitoral, com o objetivo de garantir que a votação transcorra de forma pacífica. Petro, que é aliado de Cepeda, reafirmou que deixará o Palácio de Nariño em 6 de agosto, conforme estipula a Constituição, e garantiu que não permanecerá “nem um segundo a mais” no cargo.
No primeiro turno das eleições, Petro havia questionado a validade da pré-contagem dos votos e declarou que apresentaria evidências de uma possível fraude eleitoral. Embora Cepeda tenha inicialmente apoiado a postura do presidente, ele acabou reconhecendo o resultado e direcionou seus esforços para a construção de novas alianças políticas.
Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, é advogado, empresário e escritor, e disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Com 47 anos, ele possui nacionalidades colombiana e norte-americana, além de cidadania italiana. Seu programa de governo propõe a redução do tamanho do Estado, cortes de impostos e mudanças nas estruturas de segurança pública, além de um enfoque no combate ao narcotráfico e à corrupção. Politicamente, ele costuma se inspirar em figuras como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele.
Iván Cepeda, por outro lado, é um político de 63 anos, filósofo e senador. Membro do Pacto Histórico, sua trajetória está ligada à defesa dos direitos humanos e à promoção de diálogos com as Farc. Entre suas propostas estão a reforma agrária com participação do Estado, ampliação de crédito para pequenos empreendedores e novas políticas para o tratamento da folha de coca e da cannabis.
Uma pesquisa recente da AtlasIntel, divulgada pela Revista Semana em 13 de junho, revelou uma vantagem para Espriella na reta final da campanha, com 50,9% das intenções de voto, em comparação a 43,1% para Cepeda.



