A CNM Aviação, suspeita de transportar cocaína para a Europa, lucrou com contratos eleitorais. PSD-MG e candidatos do PL figuram entre os financiadores da empresa investigada pela PF.
A empresa de táxi aéreo CNM Aviação, que está sob investigação por suposta ligação com um grupo que enviava cocaína para a Europa, recebeu quase R$ 250 mil de campanhas eleitorais durante as eleições de 2022. Os dados indicam que a maior parte dos pagamentos foi realizada pelo PSD de Minas Gerais, com contratos também provenientes de candidatos do Partido Liberal (PL) no estado.
As informações foram obtidas a partir de documentos de prestação de contas eleitorais, notas fiscais e registros da investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF).
A CNM Aviação é de propriedade da empresária Juliana Costa Nobre Magalhães, que, em 2023, foi denunciada pelo MPF por formação de quadrilha no contexto da Operação Flight Level. Esta operação investiga uma organização acusada de enviar cocaína do Brasil para a Europa utilizando aeronaves executivas.
Conforme a denúncia, Juliana atuava como “gerente-executiva” do grupo liderado por Karina Campos, a qual é conhecida pelas autoridades como a “Rainha do Pó”. Ela foi presa preventivamente durante as investigações, mas acabou sendo liberada.
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“Juliana constituiu e administrou, em nome de André e de Leonardo, a empresa CNM Aviação e Táxi Aéreo no mesmo endereço da empresa BHZ”, afirmam os procuradores na denúncia.
Documentos demonstram que a maior parte dos recursos recebidos pela CNM Aviação veio do PSD de Minas Gerais, que contratou serviços da empresa que totalizam mais de R$ 160 mil durante a campanha de 2022. Além disso, cerca de R$ 55 mil foram pagos pela campanha de Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais, quando ele disputou o Palácio Tiradentes pelo PSD. Atualmente, Kalil está filiado ao PDT.
A CNM também emitiu notas fiscais para a campanha do deputado federal Eros Biondini (PL-MG), no valor aproximado de R$ 15 mil, e para a campanha da deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG), que também pagou cerca de R$ 15 mil.
A criação da CNM Aviação é um dos pontos centrais da investigação. A empresa foi fundada em 2021, pouco após o início da Operação Flight Level, e seu endereço coincide com o hangar anteriormente utilizado pela BHZ Táxi Aéreo, empresa ligada a Leonardo Costa Nobre, irmão de Juliana, que é apontado como um dos líderes da organização criminosa em investigação.
Além disso, notas fiscais relacionadas aos voos contratados durante a campanha chamaram atenção. Embora a CNM tenha emitido notas para o uso de dois jatos executivos, a empresa não estava registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como proprietária ou operadora das aeronaves. A operadora responsável era a Heringer Táxi Aéreo Ltda., com sede em São Luís.
O PSD, por sua vez, declarou que a contratação ocorreu dentro das normas eleitorais e que não identificou irregularidades após análise da documentação da empresa antes da contratação.


