Associação investigada viu arrecadação saltar 48.000% em menos de dois anos. O MPDFT aponta entidade como centro de fraudes contra servidores do DF.
A arrecadação da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) cresceu cerca de 48.000% em menos de dois anos, conforme dados apresentados na decisão judicial que autorizou a Operação Juros Zero. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado deflagrou a ação nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) afirma que a ASDF ocupa uma posição central em um suposto esquema que realizava descontos irregulares nas folhas de pagamento dos servidores do Distrito Federal. A investigação revelou que a entidade utilizava sua estrutura para viabilizar empréstimos consignados, registrando esses valores como descontos de “plano de saúde”. O problema é que muitos desses descontos eram feitos sem a autorização dos servidores.
A Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas do Distrito Federal conduziu um levantamento que demonstra o crescimento exponencial da arrecadação da associação entre 2023 e agosto de 2025. Os investigadores consideram essa evolução incompatível com a estrutura operacional da entidade, levantando suspeitas sobre a legalidade de suas operações.
“Os servidores relataram que não possuem vínculo com a associação e nunca autorizaram descontos em seus contracheques”, afirmou um representante do Ministério Público.
Em resposta a essas alegações, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão. Os alvos incluíram o Banco de Brasília, a BRB Serviços S.A. e a Secretaria de Economia do Distrito Federal. Além disso, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) e o banco PicPay também foram alvo das investigações.
A Operação Juros Zero se concentra em indícios de que a ASDF poderia atuar como uma entidade de fachada. O Ministério Público enviou documentos à Justiça que revelam que a sede da associação funciona em um espaço de coworking e que a entidade não possui uma rede credenciada própria, além de carecer de uma estrutura técnica compatível com o volume de recursos que movimenta.
As contestações de servidores que não reconhecem vínculos com a ASDF e que nunca autorizaram descontos em seus contracheques reforçam as suspeitas em torno da operação da associação. O MPDFT continua a apuração para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.
