O CICV reuniu especialistas em Brasília para fortalecer serviços de saúde, educação e assistência social em áreas de violência armada. O encontro reuniu facilitadores do programa Acesso de todo o país.
Nos territórios afetados pela violência armada, a rotina pode ser interrompida a qualquer momento, exigindo decisões rápidas de profissionais da saúde, educação e assistência social. É nesse contexto desafiador que o programa Acesso, criado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), se destaca como uma ferramenta essencial para orientar esses profissionais sobre como manter os serviços em funcionamento de maneira segura.
Entre os dias 16 e 18 de junho, o CICV promoveu em Brasília o XI Encontro Nacional da Rede do Programa Acesso e o III Encontro de Facilitadores do Programa Acesso. O evento teve como objetivo fortalecer a rede de implementação do programa e discutir os desafios enfrentados.
No primeiro dia, profissionais responsáveis pela implementação e disseminação do programa em diversas regiões do Brasil se reuniram para um treinamento de novos facilitadores, atualização de ferramentas e práticas, além de uma troca de experiências sobre os desafios e aprendizados ao longo da trajetória do programa.
Nos dois últimos dias, o encontro focou em integrar os participantes que atuam como pontos de apoio do programa, promovendo a cooperação entre os parceiros do Acesso. Uma palestra inaugural destacou a efetividade do ensino à distância (EaD) na implementação de programas, um aspecto importante para a capacitação contínua dos profissionais envolvidos.
Um dos momentos mais aguardados do encontro foi a apresentação da plataforma online do Projeto Acesso 2.0, que reúne cursos de EaD e um sistema de notificação de riscos. Essa plataforma é fruto de 17 anos de desenvolvimento, resultando em recursos digitais e uma metodologia flexível para a implementação do programa.
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O evento também contou com uma mesa-redonda que analisou a experiência do curso on-line Comportamentos Mais Seguros, oferecido desde 2022. O objetivo foi compartilhar boas práticas e lições aprendidas durante os quatro anos de realização do curso.
O programa Acesso é aplicado no cotidiano das comunidades antes mesmo do início da rotina diária. Profissionais de saúde e educação avaliam a situação ao redor das unidades em que trabalham, decidindo se escolas e postos de saúde poderão operar com segurança. Em caso de risco elevado devido à violência armada, protocolos de gestão do risco são acionados para proteger os profissionais e a comunidade.
“Sem o Acesso, seria impossível operar nesse contexto e manter as unidades de saúde em funcionamento”, afirmou Danielle Brandão, Assessora da Superintendência de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Desde sua criação no Rio de Janeiro em 2009, o programa Acesso busca garantir a continuidade de serviços essenciais em áreas impactadas pela violência armada. A iniciativa reúne ferramentas que ajudam as instituições públicas a avaliar riscos e adaptar procedimentos, assegurando atendimento à população. Desde 2016, a metodologia é aplicada diretamente por profissionais que atuam nos territórios e já foi adotada por diversas autoridades locais em todo o Brasil.
Atualmente, cerca de 2.478 equipamentos públicos em oito municípios brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, utilizam o programa. O CICV oferece apoio técnico às instituições parceiras para fortalecer suas capacidades operacionais. Entre 2015 e 2026, mais de 62 mil profissionais de serviços essenciais foram capacitados na metodologia do programa.
Apesar dos avanços, o CICV enfatiza a importância de estratégias duradouras para a governança e sustentabilidade do programa. Encontros da Rede Acesso são realizados para promover a troca de boas práticas, visando uma atuação cada vez mais autônoma e sustentável nas comunidades atendidas.
“O Acesso oferece conhecimentos como análise de contexto, gestão de risco e gestão de crise, permitindo que os profissionais ampliem suas capacidades institucionais”, destacou Giselle Fernandes Corrêa, coordenadora do Programa Acesso.






