Um acordo histórico foi assinado entre EUA e Irã, encerrando o bloqueio aos portos iranianos. O pacto abre 60 dias de diálogos, com foco no programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos suspenderam, nesta quinta-feira (18), o bloqueio aos portos iranianos, que havia sido imposto durante a guerra no Oriente Médio. O presidente Donald Trump assinou um acordo que visa encerrar o conflito, enquanto as negociações na Suíça para discutir questões mais amplas entre os dois países estão previstas para começar.
A assinatura do acordo por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian deu início a um período de 60 dias de diálogos, que deverão envolver o programa nuclear do Irã. Apesar do acordo, a incerteza permanece quanto aos próximos passos, especialmente sobre a realização de uma cerimônia de assinatura e as negociações em Genebra, que estavam programadas para esta sexta-feira (19).
Após a assinatura do acordo, os preços do petróleo caíram significativamente. A atividade no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de energia, estava baixa, mas com o acordo, espera-se que o estreito seja reaberto imediatamente.
As forças americanas também suspenderam o bloqueio naval que impedia a entrada e saída de navios iranianos. O Exército dos EUA informou que os navios de guerra americanos permanecerão na região. Na quinta-feira, três petroleiros sauditas deixaram o Golfo Pérsico pelo estreito, e um navio francês carregado com gás natural liquefeito foi o primeiro a realizar a travessia desde o início do conflito.
O vice-presidente JD Vance mencionou que as forças armadas dos EUA permitiram a passagem de pelo menos 12 navios. Antes do conflito, o Estreito de Ormuz registrava cerca de 120 trânsitos diários, segundo a revista Lloyd’s List.
Vance também anunciou que planejava viajar à Suíça para participar de “negociações técnicas” com o Irã neste fim de semana, embora tenha ressaltado que o plano poderia mudar. No Irã, a agência Tasnim informou que ainda não havia confirmação sobre a viagem da delegação iraniana à Suíça.
O acordo promete pôr fim à atual guerra entre os EUA e Israel com o Irã, que durou cinco semanas até o cessar-fogo em abril. Contudo, alguns iranianos expressaram ceticismo quanto à durabilidade do acordo. “Não tenho esperança de que este seja um acordo duradouro. Talvez depois de 60 dias eles comecem a brigar novamente”, afirmou Mina, uma psicóloga de 54 anos de Teerã.
O acordo implica que Washington suspenderá as sanções ao petróleo que impactam a economia iraniana e, após um acordo final sobre o programa nuclear, os EUA facilitarão a liberação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões, apoiado por nações da região. Entretanto, o programa de mísseis balísticos do Irã não foi abordado no acordo, apesar da pressão de Israel para seu desmantelamento.
A decisão de Trump de encerrar a guerra, que resultou na morte de 13 militares americanos e no uso significativo de munição, gerou inquietação entre alguns aliados. O senador Bill Cassidy, do Partido Republicano, classificou a decisão como “o pior erro de política externa em décadas”.
Trump, por sua vez, defendeu sua posição durante uma cúpula do G7, afirmando que estava disposto a tomar medidas drásticas caso o Irã violasse o acordo, e criticou aqueles que o acusaram de não ser firme o suficiente com Teerã.
Enquanto isso, no Irã, alguns radicais descreveram o conflito como uma “guerra imposta”, comparando-a ao conflito de 1980-1988 com o Iraque. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, comentou que o acordo representava um “fracasso” para os EUA, enquanto Pezeshkian o considerou “histórico”.
Analistas destacam que a principal preocupação dos americanos era a reabertura do Estreito de Ormuz. Agnes Lavallois, presidente do Instituto Francês de Pesquisa e Estudos sobre o Mediterrâneo e o Oriente Médio, afirmou que as questões que justificaram a guerra perderam relevância.
Em meio a essas tensões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou a importância de manter laços com os Estados Unidos, alertando que “a luta ainda não acabou e outros desafios estão por vir”.
