As projeções do mercado para o IPCA de 2026 voltaram a subir e agora superam em quase 1 ponto percentual o teto da meta do BC. O alerta acende sobre o futuro da economia brasileira.
A mediana do relatório Focus para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu pela 14ª semana consecutiva, passando de 5,11% para 5,30%. Esse aumento distancia ainda mais a estimativa do teto da meta de inflação, que é de 4,50%, estabelecida pelo Banco Central.
Considerando as 104 estimativas mais recentes, coletadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também apresentou alta, subindo de 5,17% para 5,35%. Essa tendência de crescimento nas projeções de inflação acende um alerta sobre a trajetória econômica do país.
Além disso, a expectativa do mercado para o IPCA de 2027 também registrou um aumento, passando de 4,03% para 4,10%. Um mês antes, essa projeção era de 4,00%. Quando restritas às mesmas 104 projeções atualizadas, a expectativa subiu de 4,00% para 4,20%. Essa mudança reflete um cenário de incerteza econômica e pode impactar decisões de investimentos.
Para 2028, a mediana do Focus para a inflação aumentou de 3,65% para 3,68%, mantendo-se estável em relação ao mês anterior. Já para 2029, a expectativa permanece em 3,50%, um número que se mantém inalterado pela 41ª semana consecutiva.
A trajetória de inflação prevista pelo mercado continua acima das projeções do Banco Central, que revisou suas estimativas durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em abril. O Copom projeta uma alta de 4,6% para o IPCA em 2026 e 3,5% para 2027, indicando uma discrepância entre as expectativas do mercado e as do Banco Central.
Desde 2025, a meta de inflação tornou-se contínua, baseada no IPCA acumulado em 12 meses. O centro dessa meta é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Caso a inflação se mantenha fora desse intervalo por seis meses consecutivos, será considerado que o Banco Central não atingiu seu alvo.
