Quatro anos de invasão russa transformaram a Ucrânia em um país de cidades destruídas e milhões de refugiados. Diplomata revela os impactos da guerra na vida dos ucranianos.
Mais de quatro anos após o início da invasão em larga escala promovida pela Rússia, a Ucrânia enfrenta um desafio que vai muito além das trincheiras. Enquanto os combates continuam ao longo de centenas de quilômetros de frente, o país convive com milhões de deslocados, cidades destruídas, escassez de sistemas de defesa aérea e uma crescente necessidade de reconstrução nacional.
Em entrevista, o encarregado de Negócios da Embaixada da Ucrânia no Brasil, Oleg Vlasenko, afirmou que a guerra alterou profundamente a vida da população. Segundo ele, mais de 6 milhões de ucranianos vivem atualmente fora do país, enquanto outros 4,2 milhões permanecem deslocados internamente, após deixarem suas casas em razão dos combates.
“Uma guerra em grande escala que já dura mais de quatro anos mudou a vida da maioria dos ucranianos e causou enormes prejuízos a muitos de nós”, afirmou o diplomata.
O deslocamento populacional causado pela guerra se tornou um dos maiores da Europa, ultrapassando a duração da Primeira Guerra Mundial. Milhões de famílias foram separadas, cidades inteiras tiveram parte de sua população evacuada e milhares de pessoas precisaram reconstruir suas vidas longe das regiões onde nasceram.
Vlasenko destacou que a destruição de moradias e a perda de empregos fazem parte da rotina de quem vive próximo às áreas mais afetadas pelos combates.
“Algumas pessoas nas regiões da linha de frente perderam seus empregos e são forçadas a procurar novos trabalhos, muitas vezes em novas regiões”, declarou. “Mas, é claro, o maior problema é a perda de vidas humanas.”
O governo ucraniano mantém programas de assistência à população civil, incluindo iniciativas voltadas para a saúde mental, considerada uma das principais consequências invisíveis da guerra.
“O Estado dedica grande atenção ao desenvolvimento de programas de apoio à saúde mental”, disse Vlasenko. “Sob o patrocínio da primeira-dama Olena Zelenska, um programa de apoio à saúde mental está em funcionamento.”
Além do programa voltado à saúde mental, o governo conta com projetos de reconstrução habitacional destinados a famílias que perderam suas casas durante os ataques. Vlasenko explicou:
“O programa estatal ‘eReconstrução’ oferece aos proprietários de imóveis destruídos devido às hostilidades uma compensação na forma de um certificado de habitação. Este certificado pode ser trocado por um novo apartamento ou casa no mercado primário ou secundário, ou usado para investir em construção.”
Enquanto lida com a crise humanitária, a Ucrânia também trava uma corrida para proteger suas cidades dos ataques russos. Vlasenko ressaltou que, somente em 2025, a Rússia lançou mais de 60 mil bombas aéreas guiadas, cerca de 2,4 mil mísseis de diferentes tipos e mais de 100 mil drones contra o território ucraniano.
O diplomata enfatizou a necessidade de assistência constante de aliados para a defesa antimíssil e destacou a importância de salvar a vida de civis ucranianos.
“Precisamos de mais de 2 mil mísseis interceptores por ano. E essa assistência é necessária justamente para salvar a vida de civis ucranianos.”
Vlasenko também comentou sobre os impactos globais do conflito, ressaltando que a continuidade da agressão russa consome recursos internacionais que poderiam ser direcionados para outras emergências humanitárias e sociais ao redor do mundo.




