Moradores do sul do Líbano receberam ordens urgentes de retirada neste domingo. A medida sinaliza ofensiva iminente contra o Hezbollah, mesmo após cessar-fogo mediado pelos EUA.
O Exército de Israel emitiu, neste domingo, 14, ordens de evacuação para os moradores de 29 vilarejos no sul do Líbano. O alerta indica uma preparação para novos ataques direcionados a alvos associados ao grupo terrorista Hezbollah, mesmo após um cessar-fogo recente mediado pelos Estados Unidos entre os dois países.
As orientações foram divulgadas pelo coronel Avichay Adraee, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), através de comunicados voltados para o público árabe. Ele recomendou a retirada de moradores de áreas localizadas ao sul do rio Litani e de comunidades ao norte do rio Zahrani.
Inicialmente, o aviso abrangeu 13 vilarejos, mas posteriormente, outros 16 foram adicionados à lista. Horas antes do aviso, as IDF relataram uma violação do cessar-fogo por parte do Hezbollah, que lançou três projéteis em direção ao norte de Israel.
A movimentação ocorre em meio à tentativa de implementação de um acordo de cessar-fogo anunciado no último dia 3, que foi negociado entre os governos de Israel, Líbano e Estados Unidos. O acordo visa a redução das tensões na fronteira, além de buscar um entendimento mais amplo para a paz e segurança na região.
Conforme os termos do acordo, a trégua depende da interrupção total dos ataques do Hezbollah e do afastamento dos integrantes do grupo da área ao sul do rio Litani. Também foi decidido que zonas-piloto seriam criadas sob o controle exclusivo das Forças Armadas libanesas, sem a presença de grupos armados não subordinados ao Estado.
Num comunicado conjunto, os três governos consideraram as medidas como um passo importante para fortalecer a soberania libanesa e estabelecer condições para um entendimento duradouro entre Israel e Líbano. Além disso, as partes concordaram em manter negociações diretas para tratar de questões pendentes e aumentar a confiança mútua.
O futuro das relações entre os dois países deve ser definido exclusivamente por eles, rejeitando qualquer interferência externa nos assuntos políticos do Líbano. Nesse cenário, autoridades libanesas têm elevado suas críticas à influência de atores estrangeiros no conflito. Em entrevista à CNN, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o Hezbollah não atua em benefício do Líbano e classificou como “inaceitável” qualquer interferência do Irã nos assuntos internos do país.
“A continuidade da guerra não reflete a vontade dos libaneses”, destacou Aoun, ressaltando que a população está cansada dos efeitos de conflitos provocados por interesses externos e que a solução deve passar por entendimentos diplomáticos.
Eleito pelo Parlamento em janeiro de 2025, Aoun também declarou que o Hezbollah deve aderir a uma solução negociada que permita o fim dos confrontos e a preservação da estabilidade nacional. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, compartilhou críticas semelhantes, acusando o Irã de utilizar o sul do Líbano como um instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos.
“Não tratem o sul do Líbano e seu povo como mera moeda de troca”, pediu Salam, solicitando que o regime iraniano se abstenha de vincular a região a disputas diplomáticas mais amplas.


