Ex-presidente disse não dar 'maior importância' à decisão americana. Para ele, o crime organizado é internacional e a medida faz parte da cooperação entre países.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) comentou, na terça-feira (2), sobre a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. Para Temer, essa medida não terá um grande impacto e é parte de uma cooperação necessária entre os países, já que o crime organizado ultrapassa fronteiras geográficas.
“Eu não dou maior importância a isso [à classificação]”, afirmou o ex-mandatário ao portal Jota. Ele destacou que o crime atualmente é internacional, não se restringindo a questões nacionais ou interestaduais. “A ideia de que você tenha um inter-relacionamento entre os países é fundamental”, completou.
“Vamos deixar isso de lado. A soberania que interessa é a tranquilidade do povo brasileiro”, afirmou Temer. Ele ressaltou que o foco deve ser a segurança da população, e não questões jurídicas que possam ser levantadas em debates públicos.
Temer também abordou a questão da soberania nacional, rechaçando temores de que a decisão dos EUA possa interferir negativamente nesse aspecto. Para ele, o que realmente importa é o combate ao crime organizado. “Então se isso importar na eliminação desses grupos, eu sei como é que é, nós estamos em um período eleitoreiro. Durante as eleições, tudo é aproveitável, de um lado e outro”, disse.
A mudança no status jurídico e financeiro das facções brasileiras foi estabelecida pelo Departamento de Estado dos EUA na semana anterior. A Casa Branca alertou que essas organizações têm milhares de integrantes e promovem ações violentas na América Latina, o que já impacta o território norte-americano.
A nova classificação passa a valer formalmente a partir do dia 5 de junho de 2026. O senador americano Marco Rubio informou que Washington acionará mecanismos administrativos para bloquear o fluxo financeiro do narcotráfico, intensificando a ofensiva diplomática em relação a essas facções.
Além disso, a articulação da oposição brasileira teve um papel importante nessa mudança, como evidenciado pela reunião do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o ex-presidente Donald Trump no dia 26 de maio. Durante essa reunião, ele sugeriu o enquadramento internacional do PCC e do CV, além de discutir estratégias de segurança pública com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e com Marco Rubio.
