Havana reagiu às acusações americanas de corrupção e disse que o Gaesa existe para gerar divisas ao Estado. Nota oficial nega enriquecimento de dirigentes e culpa bloqueio dos EUA pela crise.
O governo de Cuba respondeu às recentes acusações dos Estados Unidos de que dirigentes da ilha utilizam as empresas estatais para enriquecer. Em um comunicado, Havana afirmou que o modelo do Grupo de Administração de Empresas (Gaesa) foi criado para enfrentar a guerra econômica imposta por Washington.
Segundo a nota, “o objetivo sempre foi reunir empresas com capacidade de gerar divisas e recursos que o Estado necessita para manter e desenvolver as conquistas sociais e contribuir para a promoção de setores e ramos da vida nacional”. A declaração foi divulgada nesta terça-feira, 2 de junho.
O governo cubano destacou os serviços prestados pela Gaesa, que incluem a construção de mais de 10 mil residências, investimentos em educação infantil e obras como a termelétrica de Holguín e projetos hidráulicos que beneficiaram milhões de cubanos. A Gaesa também teve um papel fundamental em sustentar a economia do país durante os anos da pandemia de Covid-19.
“A Gaesa não é uma estrutura opaca, nem paralela ao Estado cubano; pelo contrário, tem sido uma resposta articulada e de comprovada eficácia contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana”, diz o comunicado oficial.
Cuba condenou as acusações dos EUA, afirmando que estas visam “confundir tanto o nosso povo quanto a opinião pública internacional”. O governo de Miguel Diaz-Canel acrescentou que essa nova investida contra a Gaesa busca afastar investidores estrangeiros que realizam negócios com as empresas do grupo.
O comunicado enfatizou que “o objetivo deliberado é isolar o país diplomática, comercial, financeira e energeticamente; minar a sustentabilidade da nação; condicionar o diálogo; e considerar opções de agressão militar”. Para o governo cubano, as ações têm o intuito de construir uma narrativa de descrédito contra as instituições que sustentam o projeto social da ilha.
A pressão dos EUA sobre Cuba tem aumentado, com cortes no acesso ao petróleo e novas sanções contra aqueles que comercializam com a ilha. No início de maio, a empresa canadense Sherritt International abandonou suas operações em Cuba, que eram realizadas em parceria com a Gaesa, em decorrência de uma nova Ordem Executiva da Casa Branca.
A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia, afirmou que as acusações dos EUA são pretextos para desestabilizar o governo do Partido Comunista. “Eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo, que é um dos setores que mais dinheiro gera no país, mas nunca apresentaram provas disso”, comentou.
O bloqueio econômico imposto pelos EUA resultou em períodos críticos para Cuba, como três meses sem receber petróleo, levando ao aumento de apagões e à elevação dos preços de produtos básicos. Moradores de Havana têm relatado que este é um dos piores momentos que o país enfrenta.

