O presidente Lula chamou de 'traidores da pátria' quem tenta provocar tarifas dos EUA contra o Brasil por interesse eleitoral. A declaração foi feita em reunião ministerial no Planalto.
No dia 3 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez declarações contundentes durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, em Brasília. Ele afirmou que certos brasileiros estão tentando estimular medidas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil, motivados por interesses eleitorais. Lula classificou essa atuação como uma ‘traição da pátria’, embora não tenha citado nomes específicos.
A declaração surgiu em meio a uma investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano, que analisa a possibilidade de imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros. Lula expressou sua surpresa e descontentamento com a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, ressaltando: “Confesso a vocês que fiquei surpreso com a decisão dele, fiquei triste.”
“E fiquei mais triste ainda porque tem brasileiros, que não vou citar nomes, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar nossa campanha à Presidência da República,” disse o petista.
Embora não tenha se referido diretamente ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), muitos interpretaram suas palavras como uma crítica ao grupo que o apoia. Lula lamentou a situação e disse: “Um imbecil desses não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula. Em qualquer outro país do mundo ou momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria.”
O presidente Lula também anunciou que pretende enviar uma nova carta a Trump, reforçando sua defesa do Brasil na imprensa internacional. “Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump,” afirmou aos ministros, acrescentando que escreverá quantos artigos forem necessários para mostrar que as críticas são infundadas. Ele também confirmou sua participação na próxima reunião do G7.
Além disso, Lula declarou que o Brasil buscará novos mercados caso os Estados Unidos reduzam as compras de produtos brasileiros. “Se os EUA não quiserem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar,” enfatizou. “Somos um país soberano. Por isso, este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências.”
As declarações de Lula aconteceram após o governo dos EUA concluir uma investigação comercial que aponta práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem o comércio dos EUA.” O relatório propõe tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros e uma tarifa adicional de 12,5% para países que não adotam medidas adequadas para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
