Milhões de americanos votaram em 2 de junho em primárias que testam a influência de Trump no Partido Republicano. Os resultados antecipam o cenário das eleições de novembro.
Milhões de americanos foram às urnas no dia 02 de junho de 2026, em uma das mais importantes rodadas de eleições primárias do ano. Os estados da Califórnia, Iowa, Nova Jersey, Novo México, Montana e Dakota do Sul realizaram disputas para cargos de governo estadual, Congresso e outras funções locais, oferecendo um retrato inicial das forças políticas que estarão em jogo nas eleições de novembro.
Embora os resultados ainda não indiquem mudanças drásticas no cenário político nacional, eles trouxeram sinais importantes sobre a influência do presidente Donald Trump dentro do Partido Republicano, o posicionamento dos democratas em estados estratégicos e as principais preocupações do eleitorado americano.
A Califórnia foi o principal foco da noite, sendo o estado mais populoso do país e responsável por cerca de 12% da economia americana. A corrida para suceder o governador Gavin Newsom começou a tomar contornos mais definidos. Resultados preliminares indicaram vantagem para o democrata Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde dos Estados Unidos, e para o republicano Steve Hilton, empresário e ex-comentarista da Fox News. Com o sistema “top two”, os dois candidatos mais votados avançam para a eleição geral de novembro.
A disputa na Califórnia é observada com atenção, pois o estado frequentemente serve como um laboratório para temas que depois ganham dimensão nacional, como imigração, moradia, meio ambiente, criminalidade e políticas sociais. Na cidade de Los Angeles, a prefeita democrata Karen Bass garantiu vaga para a próxima fase da eleição municipal, embora a definição do segundo nome que disputará a prefeitura ainda dependesse da contagem dos votos nas horas seguintes ao fechamento das urnas.
Em Iowa, um dos resultados mais observados da noite representou um revés para Donald Trump. O deputado federal Randy Feenstra, que contava com o apoio público do presidente na disputa pelo governo estadual, foi derrotado nas primárias republicanas. Essa derrota foi interpretada como um lembrete de que, apesar de Trump ser a principal liderança do Partido Republicano, seu apoio não garante automaticamente a vitória dos candidatos que endossa. Em Iowa, o deputado estadual Josh Turek venceu a indicação democrata para o Senado e enfrentará a republicana Ashley Hinson nas eleições gerais de novembro.
No Novo México, a ex-secretária do Interior Deb Haaland consolidou sua posição entre os democratas e tornou-se uma das principais candidatas ao governo estadual. Se eleita em novembro, Haaland poderá se tornar a primeira mulher indígena a governar um estado americano. A ex-integrante do governo Biden já havia feito história ao ser a primeira indígena a comandar um departamento ministerial nos Estados Unidos.
Nova Jersey também atraiu atenção nacional por envolver distritos considerados decisivos para o controle da Câmara dos Representantes. No 7º Distrito Congressional, a democrata Rebecca Bennett conquistou a indicação de seu partido e enfrentará o republicano Tom Kean Jr. em novembro. Este distrito é considerado um dos mais competitivos do país e poderá desempenhar um papel importante na definição da maioria na Câmara.
Montana e Dakota do Sul tiveram uma cobertura de imprensa menos intensa, mas também realizaram eleições importantes para cargos estaduais e federais. As primárias nesses estados ajudaram a definir os candidatos que disputarão vagas no Congresso, governos estaduais e outras funções locais nas eleições gerais.
Para especialistas, as eleições do dia 02 de junho revelaram três tendências principais. Primeiro, Donald Trump continua exercendo forte influência sobre o Partido Republicano, mas enfrenta resistência em algumas disputas específicas. Em segundo lugar, os democratas seguem concentrando esforços em estados e distritos competitivos, especialmente na Califórnia e em Nova Jersey, buscando ampliar sua representação no Congresso. Por fim, os temas que dominaram as campanhas incluem economia, inflação, custo de vida, imigração, habitação e segurança pública. Essas questões devem permanecer no centro do debate político americano nos próximos meses e provavelmente serão decisivas para definir os vencedores das eleições de novembro.
Com as primárias avançando em diferentes estados ao longo do ano, os resultados desta semana fornecem apenas uma primeira fotografia de uma disputa que promete ser intensa e que poderá influenciar diretamente o equilíbrio de poder em Washington nos próximos anos.
