O déficit cresceu 83% em relação ao mesmo período de 2025. Despesas com pessoal e administrativas puxaram as perdas da estatal federal.
Os Correios divulgaram nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, um resultado líquido negativo de R$ 3,158 bilhões nos primeiros três meses do ano, conforme o balanço publicado pela empresa. Esse prejuízo representa um aumento de 83,02% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 1,725 bilhão.
A elevação do prejuízo está diretamente relacionada a fatores como as despesas gerais e administrativas, além das despesas financeiras. No primeiro trimestre de 2026, os gastos com despesas gerais alcançaram R$ 2,26 bilhões, englobando custos com pessoal e contratações de serviços advocatícios. Além disso, a estatal enfrenta uma pressão significativa devido a processos judiciais de natureza trabalhista, cível e fiscal.
As despesas gerais e administrativas no primeiro trimestre de 2025 foram de R$ 1,22 bilhão, evidenciando um aumento expressivo nas contas da empresa. Por outro lado, as despesas financeiras também apresentaram um crescimento considerável, saltando de R$ 282,9 milhões para R$ 985 milhões no mesmo período de comparação. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelos encargos do financiamento da dívida interna, que incluem juros e IOF, além do reconhecimento de juros e multas sobre tributos relacionados à importação.
Para enfrentar essa situação e garantir a liquidez no curto prazo, os Correios anunciaram em novembro do ano passado uma operação de crédito que pode chegar a até R$ 20 bilhões. O Tesouro Nacional aprovou um empréstimo de até R$ 12 bilhões para a empresa, enquanto uma capitalização adicional de até R$ 8 bilhões ainda está em tratativas.
Na última semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) comunicou ao governo federal sobre a possível violação de dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), devido à falta de verificação “própria e independente” das premissas financeiras que sustentaram o plano de reestruturação dos Correios. O tribunal também destacou a insuficiência da análise sobre a capacidade de pagamento da estatal, o que é fundamental para a concessão de garantias da União e para a operação do crédito de R$ 12 bilhões.
O TCU alertou ainda que a ausência de uma avaliação externa sobre as premissas de receitas, despesas e fluxos de caixa que fundamentam os planos de equilíbrio econômico-financeiro das estatais pode ampliar a exposição da União.
