Vacina contra a dengue do Butantan teve sua aplicação interrompida em todo o Brasil após anúncio do Ministério da Saúde, em 8 de junho, devido a 42 episódios de eventos adversos, três graves e dois fatais, registrados entre pouco mais de 500 mil pessoas imunizadas.
Motivo da suspensão e investigação em curso
A pasta informou que, embora ainda não seja possível confirmar relação causal entre os óbitos e o imunizante, a medida tem caráter de precaução. Um comitê formado por especialistas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e do próprio Instituto Butantan analisará individualmente os casos para identificar possíveis fatores de risco, histórico clínico e eventuais falhas no processo de aplicação.
Perfil dos 42 casos analisados
Dos 3.703 vacinados que relataram sintomas semelhantes aos da dengue – o equivalente a 0,7% do total – 42 (0,008%) evoluíram para quadros de alerta, com dor abdominal intensa, vômito persistente ou sangramento. Entre eles, três adultos com idades entre 39 e 58 anos precisaram de internação; dois não resistiram. Todos pertenciam ao grupo de profissionais da atenção primária imunizados desde fevereiro.
Municípios-piloto e estratégia de monitoramento
O imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro e aplicado em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além de Araguaína (TO). Nesses locais, adolescentes e adultos de 15 a 59 anos receberam a dose para medir o impacto populacional da vacina.
Eficácia permanece reconhecida
Em nota, o Instituto Butantan ressaltou que o estudo clínico publicado em revista internacional apontou eficácia global de 79,6% e de 89% contra formas graves da doença. A instituição afirma que seguirá colaborando com a investigação para retomar a campanha “com total segurança”. O ministro Alexandre Padilha reafirmou a confiança na pesquisa nacional e lembrou que o imunizante segue parâmetros de qualidade recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
Outras vacinas disponíveis
A suspensão não afeta o Qdenga, produzido pela farmacêutica Takeda e também oferecido pelo SUS. Assim, a população continua a ter opção de proteção enquanto o estudo caso-controle sobre a vacina do Butantan não é concluído.
Para quem recebeu a dose nas últimas três semanas, o Ministério orienta procurar uma unidade de saúde diante de febre, dor abdominal contínua, vômitos persistentes, tontura ou sangramentos.
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Crédito da imagem: Instituto Butantan/Divulgação
Fonte: Agência Brasil
