Gigante do setor sucroenergético enfrenta dívidas de R$ 65 bilhões e corre contra o tempo. Empresa aposta em venda de ativos e aporte de acionistas para evitar colapso financeiro.
A Raízen está em um intenso processo de reestruturação financeira, buscando evitar que sua situação se transforme em uma recuperação judicial convencional. O prazo estabelecido para consolidar um plano extrajudicial com seus credores é 8 de junho de 2026. A empresa lida com um passivo que ultrapassa R$ 65 bilhões.
A petição inicial de recuperação extrajudicial foi protocolada em 11 de março deste ano. A estratégia da empresa envolve negociações diretas de dívidas, além da venda de ativos operacionais fora do Brasil e a injeção de recursos por parte dos acionistas controladores.
A Raízen planeja receber um aporte de R$ 3,5 bilhões por meio da Shell, que considera essa injeção de capital como uma medida “prudente e necessária para enfrentar os desafios financeiros”. Além disso, está previsto um aporte secundário de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, que pertence à família do empresário Rubens Ometto.
A principal proposta aos credores inclui a transformação de 45% do saldo das dívidas reestruturadas em ações da companhia, com um preço sugerido de R$ 0,25 por papel. Essa precificação implica um desconto em relação ao valor de mercado, podendo diluir a participação da Cosan e da Shell na empresa.
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As negociações entre a Raízen e o mercado financeiro mudaram após o BTG Pactual desistir de um aporte de R$ 5,5 bilhões na divisão de distribuição de combustíveis da rede. Porém, o banco coordenou uma capitalização de R$ 10 bilhões na holding controladora, a Cosan, garantindo a injeção de R$ 4,5 bilhões. Isso fortalece, indiretamente, o suporte financeiro à Raízen.
O perfil da dívida da Raízen revela uma divisão entre os credores, com os bancos comerciais representando 40% das pendências. Eles estão avançando para a assinatura do acordo extrajudicial. Para que o plano seja homologado, é necessário o apoio de pelo menos metade dos credores.
Os 60% restantes da dívida estão entre investidores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio, que demonstram resistência às propostas de conversão de títulos em ações, buscando preservar papéis de renda fixa com juros mais altos.
A direção da Raízen considera três opções até o fim do prazo estipulado: concluir a assinatura do acordo extrajudicial, solicitar a prorrogação do período de negociação ou entrar com um pedido de recuperação judicial definitivo.
Para garantir a liquidez, a Raízen acelerou a venda de ativos, incluindo usinas de cana-de-açúcar no Brasil. O departamento de relações com investidores também está negociando a venda de refinarias e postos de combustíveis na Argentina, em transações internacionais que podem ultrapassar US$ 1 bilhão.
A Cosan e a Raízen optaram por não comentar sobre o andamento das reuniões.
