Pressão por código de ética e caso Banco Master esvaziaram o tradicional encontro em Lisboa. Apenas dois ministros do STF participaram do fórum neste ano.
O Fórum Jurídico de Lisboa, popularmente conhecido como “Gilmarpalooza”, teve início na segunda-feira, 1º de junho, com uma presença reduzida de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Este ano, apenas dois ministros compareceram ao evento, o que marca um desvio significativo em relação às edições anteriores.
A diminuição da presença do STF no evento ocorre em um contexto de crescente pressão por um código de ética para magistrados, além das repercussões do caso Banco Master. O evento, que historicamente serviu como um ponto de encontro para ministros, políticos e advogados, enfrenta um clima de cautela, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando.
“Não obtive autorização médica para um longo voo até Lisboa, a fim de participar de mais uma edição do sempre bem-sucedido Fórum, coordenado pelo colega e amigo Gilmar Mendes”, afirmou Flávio Dino, que cancelou sua participação no evento após sofrer um pequeno acidente doméstico.
Os únicos ministros do STF presentes foram Gilmar Mendes, que também é o anfitrião, e Alexandre de Moraes. Inicialmente, Flávio Dino estava programado para participar, mas sua ausência foi confirmada no último minuto. Este cenário contrasta fortemente com as edições anteriores, onde a presença de diversos ministros era a norma.
Além dos ministros do STF, o evento conta com a participação de 13 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluindo figuras como Luis Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques, que têm estado presentes desde 2024. A presença desses ministros é vista como uma tentativa de manter a relevância do evento, mesmo diante da crescente desconfiança sobre as relações entre o Judiciário e o setor privado.
Entre os políticos confirmados estão Hugo Motta, presidente da Câmara, e Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, além de governadores de diversos estados, como Eduardo Leite, de Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, de Pernambuco. A lista de participantes reflete a diversidade de interesses em discussão durante o Fórum, que é considerado um espaço de diálogo importante, mesmo em tempos desafiadores.
O caso Banco Master, que trouxe à tona questões sobre a proximidade entre autoridades e o mercado financeiro, contribui para um clima de cautela em relação à participação de magistrados em eventos desse tipo. A situação atual é vista como um teste de imagem para as instituições, que buscam restaurar a confiança pública em meio a um cenário de crescente escrutínio.


