Pirataria e ilegalidade pesam no bolso da indústria brasileira. Pesquisa da CNI revela perdas bilionárias e queda de receita para empresas que enfrentam concorrência desleal.
O mercado ilegal tem causado prejuízos significativos à indústria brasileira nos últimos dois anos. De acordo com a Sondagem Especial Brasil Legal, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), um terço das empresas industriais do país sofreu os impactos de atos ilícitos nesse período.
O levantamento aponta que as perdas na receita líquida de vendas atingem a marca de R$ 39 bilhões. Dentre as empresas afetadas, 50% destacam a redução da receita bruta como o principal efeito negativo. Além disso, 30% das empresas mencionaram a perda de participação de mercado como um impacto importante, e 28% relataram aumento nos custos com segurança.
A pesquisa foi conduzida entre os dias 3 e 12 de novembro de 2025, com a participação de 1.398 empresas de diferentes portes, abrangendo 32 setores industriais em todo o Brasil. O estudo revelou que cerca de 31% das empresas enfrentaram dificuldades devido a ilegalidades, com as médias e grandes empresas apresentando percentuais de 32% e 33%, respectivamente. Já entre as pequenas empresas, o índice é de 25%.
Embora a porcentagem de empresas afetadas seja maior entre os negócios de maior porte, o impacto proporcional sobre a receita é mais significativo nas pequenas empresas. O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, explica que as perdas correspondem, em média, a 0,6% da receita líquida anual das pequenas empresas, 0,8% das médias e 0,4% das grandes. “Com estruturas financeiras mais enxutas e menor capacidade de diluição de custos, os pequenos negócios são mais vulneráveis, especialmente em um cenário de concorrência desleal”, afirma.
Os dados da pesquisa também apontam que o roubo de carga é o ilícito que mais impacta a indústria, com 32% das empresas afirmando ter sofrido diretamente com esse tipo de crime. No estado do Rio de Janeiro, a Federação das Indústrias (Firjan) estimou um prejuízo de R$ 314 milhões em 2025, contabilizando uma média de oito caminhões atacados diariamente.
Outro problema identificado foi a não conformidade de produtos com regulamentações técnicas, afetando 29% das empresas. Esse cenário gera riscos ao consumidor e acarreta concorrência desleal, prejudicando a indústria formal.
Além das perdas diretas, o estudo revela que os custos com prevenção superam esses prejuízos. Os gastos com segurança, tanto patrimonial quanto cibernética, representam 1,1% da receita líquida de vendas, totalizando R$ 68,5 bilhões. Fabrício Silveira ressalta que os investimentos em segurança digital ainda são limitados, com 77,1% das empresas destinando apenas 1% ou menos de seu orçamento para ações de cibersegurança.
Para combater os efeitos das ilegalidades, 77% das empresas acreditam que o aumento da fiscalização e do controle é a principal medida a ser adotada. Outros 46% defendem investimentos em ações de inteligência, enquanto 36% apoiam o endurecimento das legislações. Além disso, 41% dos entrevistados consideram que os órgãos de segurança pública estaduais devem ser fortalecidos.
