O rombo já supera todo o prejuízo de 2025 e bate recorde desde 2002. Banco Central divulgou os dados nesta quinta-feira (29).
As estatais federais enfrentam um momento financeiro crítico, registrando um déficit de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e abril de 2026. Esses dados foram divulgados pelo Banco Central no dia 29 de maio e representam o pior desempenho para o período desde o início da série histórica, em 2002. O rombo acumulado já ultrapassa o total de R$ 5,8 bilhões registrado durante todo o ano de 2025.
Até agora, o maior resultado negativo para os primeiros quatro meses do ano havia sido em 2025, quando as estatais apresentaram uma perda de R$ 2,7 bilhões, sem considerar a correção pela inflação. É importante destacar que a metodologia do Banco Central não inclui no cálculo empresas como Petrobras, Eletrobras e bancos públicos, mas considera estatais como os Correios, Infraero, Casa da Moeda, Dataprev, Serpro, Hemobrás, Emgepron e Emgea.
Um dos principais fatores que contribuem para esse aumento no déficit é a crise financeira dos Correios, que registrou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais de três vezes superior ao resultado negativo de R$ 2,6 bilhões em 2024. Os Correios enfrentam a sua 14ª sequência de trimestres com perdas financeiras desde o final de 2022.
Para tentar reverter essa situação, a empresa contratou em dezembro um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, destinado a quitar dívidas e reforçar o caixa. Em maio, o governo também autorizou a estatal a expandir suas atividades comerciais, incluindo a venda de seguros, títulos de capitalização e serviços de telefonia.
O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso pelo governo, prevê que as estatais federais continuarão operando no vermelho até 2030. Em relação aos Correios, o Executivo afirma que, apesar das medidas de reestruturação financeira, a expectativa é de que a empresa ainda apresente um alto prejuízo em 2026.
A sequência de resultados negativos observada até abril de 2026 reflete uma tendência que se intensificou nos últimos anos. Dados do Banco Central indicam que, após um período de superávits entre 2020 e 2022, as estatais começaram a registrar déficits em 2023, ano que marca o início do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

