O encontro entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Xi Jinping, presidente da China, realizado em 14 de maio, trouxe reflexos significativos para Taiwan. O governo taiwanês observa atentamente os movimentos das duas potências, considerando-os fatores que podem gerar instabilidade e redefinir os riscos na região do Indo-Pacífico. Taiwan se posiciona como um ponto central na disputa estratégica entre EUA e China, com a pressão militar chinesa se mantendo constante.
A representante de Taiwan em Israel, Abby Ya-Ping Lee, utilizou argumentos que ecoam o discurso israelense sobre ameaças externas. Em entrevista ao The Jerusalem Post, ela afirmou que um ataque a Taiwan teria repercussões globais, o que afetaria a estabilidade mundial. Lee também parafraseou a ex-primeira-ministra de Israel, Golda Meir, ao dizer: “Se Taiwan depuser as armas, não haverá Taiwan”. Segundo ela, a posse de armas não visa provocar um conflito, mas serve como meio de autodefesa e dissuasão.
A representante reforçou que, apesar do diálogo entre Washington e Pequim, a capital de Taiwan, Taipei, deve manter sua própria capacidade de defesa. Trump mencionou a discussão sobre as vendas de armas para Taiwan e a possibilidade de um contato direto com o presidente taiwanês, Lai Ching-te, antes de decidir sobre um pacote militar estimado em US$ 14 bilhões. Contudo, a imprensa internacional aponta que não há previsões concretas para esse contato, sendo que uma ligação direta entre os presidentes em exercício dos EUA e de Taiwan não ocorre desde 1979.
Historicamente, Taiwan passou por diversas mudanças de domínio. Inicialmente controlada pela China no século 17, a ilha foi cedida ao Japão em 1895 após a vitória japonesa na primeira guerra sino-japonesa. Após a Segunda Guerra Mundial, Taiwan retornou ao controle chinês, mas em 1949, após a guerra civil na China, o governo nacionalista de Chiang Kai-shek fugiu para a ilha e estabeleceu um governo. Desde então, a China considera Taiwan como uma província chinesa, enquanto os taiwaneses argumentam que, entre 1945 e 1949, a ilha não fazia parte da China, já que estava sob domínio japonês.
Enquanto o impasse persiste, Lee destacou a importância da posição dos EUA para a segurança de Taiwan. Ela expressou gratidão à administração americana por reafirmar que a política sobre Taiwan permanece inalterada e enfatizou que a paz e a estabilidade na região são interesses compartilhados. A defesa continua sendo uma prioridade para Taipei, que busca aumentar sua capacidade militar como forma de dissuasão diante do poderio militar chinês, que, segundo Lee, é a raiz da instabilidade regional.
Taiwan tem pressionado os EUA a continuarem fornecendo pacotes de armamentos. Em dezembro, o governo Trump aprovou uma venda de US$ 11 bilhões em armamentos, enquanto um novo pacote de cerca de US$ 14 bilhões ainda aguarda decisão. Lee classificou esse pacote como essencial para a defesa nacional, incluindo sistemas de defesa aérea e antimísseis, além de mísseis Patriot, ressaltando que a relação de segurança com os EUA é vital para a sobrevivência de Taiwan.
