Colômbia: Petro contesta pré-contagem com 800 mil votos extras O presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que não reconhecerá a pré-contagem privada das eleições presidenciais, alegando alteração de algoritmos e inclusão de 800 mil eleitores fora do censo oficial, o que teria beneficiado o candidato oposicionista.
Disputa sobre a legitimidade da pré-contagem
Petro declarou em rede social que a empresa de tecnologia dos irmãos Bautista, responsável por parte do processamento de dados, modificou o software de apuração três vezes na última semana. Segundo o mandatário, essas mudanças teriam ampliado artificialmente o cadastro eleitoral, gerando “centenas de milhares de votos adicionados sem eleitores inscritos”.
O Registro Nacional do Estado Civil divulgou que a pré-contagem colocou o advogado conservador Abelardo de La Espriella na frente com 43,7% (10.361.499 votos), contra 40,9% (9.688.361) do senador de esquerda Iván Cepeda, representante do Pacto Histórico. O órgão ressalta que o procedimento tem caráter apenas informativo e não possui validade jurídica.
Questionamentos e demandas por transparência
Para Petro, há “dois censos” no país: o oficial, supervisionado por juízes, e o que estaria sendo usado pelas companhias privadas Thomas Greg & Sons e a espanhola Indra. O chefe de Estado afirmou que somente aceitará os números consolidados pelas comissões escrutinadoras, responsáveis pelo resultado vinculativo, previsto para ser divulgado entre duas e quatro semanas após o pleito.
Iván Cepeda, segundo colocado na pré-contagem, pediu uma verificação minuciosa. Ele citou indícios de “padrões atípicos” em um número ainda não especificado de seções eleitorais e disse que sua coligação analisa as 885 mil fichas de inscrição suspeitas.
Reação da oposição e pedido de observadores estrangeiros
Abelardo de La Espriella classificou a contestação do governo como uma tentativa de “desestabilizar a democracia” e solicitou que os Estados Unidos e outras nações acompanhem o segundo turno, agendado para 21 de junho. O comparecimento às urnas foi de 57,8% dos mais de 41 milhões de eleitores; brancos e nulos somaram cerca de 3%.
Impacto geopolítico em jogo
Especialistas veem a eleição como decisiva para o rumo da política externa colombiana. A vitória de Espriella poderia aproximar Bogotá de Washington, retomando o alinhamento que predominou antes da chegada da esquerda ao poder em 2022. Já a permanência do Pacto Histórico manteria a sintonia com pautas regionais defendidas pelos governos progressistas da América do Sul.
Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano da Uerj, lembra que a Colômbia é estratégica por ter acesso ao Pacífico e ao Caribe. “O resultado definirá se o país continuará priorizando a integração regional ou se voltará a uma agenda quase exclusiva com os Estados Unidos”, explicou.
Enquanto o Tribunal Eleitoral não proclama o resultado oficial, o clima segue tenso. Petro enfatiza que “aceitará apenas dados auditados pelos juízes da República”, e a oposição insiste na presença de missões internacionais para garantir confiança no pleito.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
