O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, se manifestou contra a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo Sarrubbo, essa medida não apenas seria prejudicial ao Brasil, mas também poderia comprometer décadas de cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Em suas declarações, Sarrubbo destacou a importância da colaboração entre o Brasil e autoridades norte-americanas, além de outros países da América Latina, no enfrentamento de organizações criminosas transnacionais. Ele enfatizou que essa parceria envolve troca de informações, investigações conjuntas e até pedidos de bloqueio de bens de membros de facções criminosas em território estrangeiro.
“O Brasil já tem um trabalho de longa data nessa área, que não é deste governo nem de um governo específico. Há uma cooperação muito fluida entre Brasil, Estados Unidos e nossos parceiros da América Latina”, afirmou Sarrubbo.
O ex-secretário também ressaltou que o país possui estruturas consolidadas de cooperação internacional, incluindo centros com a participação de agentes estrangeiros. Para ele, a ideia de que o Brasil abriga ou incentiva organizações terroristas não condiz com a realidade.
Sarrubbo argumentou que, de acordo com a legislação brasileira, PCC e Comando Vermelho não se enquadram como organizações terroristas. Ele explicou que a definição legal de terrorismo no Brasil está ligada a motivações políticas, religiosas, ideológicas, raciais ou étnicas.
“As facções que atuam no Brasil são organizações econômicas voltadas ao lucro, obtido por meio da violência e da prática de crimes, especialmente o tráfico de drogas e outros delitos correlatos”, explicou.
Na avaliação do ex-secretário, a mudança na classificação pelos Estados Unidos poderia impactar a forma como as facções são tratadas pelas autoridades norte-americanas. Em vez de serem vistas como um problema de polícia, poderiam ser consideradas uma questão de defesa nacional.
Sarrubbo alertou que esse cenário poderia reduzir a atuação de órgãos como o FBI, que mantém uma forte interlocução com agências brasileiras, transferindo responsabilidades para organismos de inteligência e defesa, como a CIA e as Forças Armadas dos Estados Unidos.
“Isso não amplia a cooperação. Muito pelo contrário. Pode tornar mais difícil a articulação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado”, afirmou.
Além disso, Sarrubbo apontou possíveis consequências econômicas decorrentes da classificação. Segundo ele, essa mudança não traria vantagens ao Brasil e poderia enfraquecer estratégias já consolidadas de combate às facções criminosas.
“O Brasil não ganha absolutamente nada com isso. Aqueles que comemoram esse tipo de solução estão, na verdade, comemorando algo que prejudica o combate ao crime organizado. É uma situação muito ruim, e esperamos que isso possa ser superado no futuro”, concluiu.
