No dia 28 de maio, celebrado como o Dia Mundial do Brincar, a importância da brincadeira no desenvolvimento das crianças é destacada. A data, reconhecida pelo UNICEF, busca conscientizar a sociedade sobre o papel fundamental que o brincar desempenha na formação de habilidades essenciais para a vida. Muitas vezes, o ato de brincar é visto apenas como uma distração, mas, na verdade, ele é um dos principais meios de aprendizado durante a infância.
Pesquisas em neurociência apontam que, durante as brincadeiras, o cérebro das crianças se mantém em intensa atividade. Isso ocorre porque a brincadeira, além de ser prazerosa, ativa circuitos relacionados à memória, atenção e linguagem. Esses aspectos são essenciais para o desenvolvimento das funções executivas, que incluem habilidades como controle inibitório, memória e flexibilidade cognitiva.
A especialista em desenvolvimento infantil, Adele Diamond, realizou um estudo que confirma que brincar é indispensável para o desenvolvimento de habilidades como atenção e autocontrole. Em sua pesquisa, publicada no Annual Review of Psychology em 2013, ela aponta que atividades que envolvem movimento, linguagem e interação social estimulam áreas do cérebro ligadas ao planejamento e à aprendizagem.
Por exemplo, ao brincar de casinha, as crianças aprendem a respeitar regras, construir narrativas e se adaptar a mudanças na história, mobilizando habilidades como memória e autocontrole. Já em brincadeiras como o pega-pega, elas precisam monitorar regras e interações, o que é uma tarefa complexa para um cérebro em desenvolvimento. Em atividades de construção, as crianças avaliam suas ações, reorganizam estratégias e tentam novamente, um processo fundamental para o amadurecimento das áreas cerebrais ligadas ao aprendizado.
Além disso, brincar livremente fornece um ambiente seguro para experimentar e aprender com os erros. Quando algo não sai como o esperado, a criança tem a oportunidade de avaliar o que aconteceu e ajustar suas ações, promovendo assim o desenvolvimento da resiliência e da tolerância à frustração.
O espaço para brincar livremente, especialmente ao ar livre, é essencial. Ambientes naturais oferecem desafios e imprevisibilidade, desenvolvendo habilidades como equilíbrio e coordenação motora, além de ajudar as crianças a regular suas emoções. Contudo, a redução do tempo de brincar livre está associada a dificuldades escolares, uma vez que as funções executivas são fundamentais para o aprendizado formal.
Entretanto, o excesso de telas e uma rotina excessivamente organizada podem prejudicar o brincar. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos tem sido ligado a atrasos na linguagem e no desenvolvimento motor. A experiência de brincar deve ser ativa e criativa, e a hiperorganização reduz o tempo disponível para exploração espontânea.
Brincar não é apenas uma atividade lúdica, mas uma construção de bases cognitivas, emocionais e sociais que acompanharão a criança por toda a vida. Proteger e valorizar o tempo de brincar é uma decisão baseada em evidências, que deve ser priorizada por pais e educadores.
“Brincar constrói bases cognitivas, emocionais, sociais e comportamentais que acompanham o indivíduo ao longo da vida.”
Luciana Brites, psicopedagoga e CEO do Instituto NeuroSaber, reforça que o brincar é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças.
