Um novo estudo revela que as redes municipais de ensino têm avançado na educação infantil, especialmente nas áreas de linguagem e cultura escrita. Dados do relatório Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública mostram que 76% dos municípios investem em práticas voltadas ao letramento, enquanto apenas 48% focam em estratégias de letramento matemático.
Divulgado na última segunda-feira, 25 de maio, o relatório foi elaborado pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). O levantamento, realizado com 2.712 redes municipais de ensino, representa quase 50% do total de municípios do Brasil. A pesquisa abrangeu diversas regiões, com destaque para o Norte, que teve uma cobertura de 62%, e o Sudeste, com 33%.
Outro aspecto preocupante do estudo é que 20% das secretarias municipais de educação não implementam iniciativas voltadas para a educação infantil. Além disso, 23% das prefeituras afirmam não saber se as unidades conveniadas da pré-escola adotam as estratégias de letramento.
“É fundamental que as secretarias de educação acompanhem as redes conveniadas para garantir a qualidade do atendimento”, afirma Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social.
A publicação também destaca que 62% das Secretarias Municipais de Educação promovem o contato das crianças com a natureza, enquanto 58% oferecem formação continuada voltada para o desenvolvimento infantil. Além disso, 56% realizam ações para garantir o acesso e a permanência dos alunos nas escolas.
Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da Undime, enfatiza a importância da educação infantil como uma etapa crucial para o desenvolvimento das crianças. Ele ressalta que as redes municipais precisam planejar políticas que considerem as particularidades de cada comunidade e as desigualdades territoriais.
“É necessário garantir o direito à educação de qualidade desde a primeira infância”, destaca Garcia.
O estudo também revela que 67% das redes municipais recebem apoio das secretarias estaduais de educação, principalmente em forma de formação e suporte técnico. No entanto, um terço dos municípios ainda não conta com esse suporte, evidenciando a necessidade de mais recursos e assistência técnica.
Por fim, a pesquisa aponta que a transição das crianças da pré-escola para o 1º ano do ensino fundamental ainda é um desafio. Cerca de 17% das redes não realizam planejamento articulado entre essas etapas, e 13% não adotam estratégias básicas para facilitar essa transição, que é essencial para uma educação contínua e de qualidade.
