Mortalidade materna no Brasil ainda soma 1,3 mil mortes ao ano
Mortalidade materna continua sendo um desafio de saúde pública no país, com 56,4 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos, segundo dados de 2024 do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus). O indicador representa 1.347 mortes somente naquele ano e mantém o país distante da meta de reduzir a razão a 30 até 2030.
Meta distante e causas evitáveis
O levantamento, disponível no Observatório da Saúde Pública, mostra que nove em cada dez ocorrências poderiam ser prevenidas, conforme a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). As principais causas diretas são síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto, responsáveis por 66% dos óbitos.
Importância do pré-natal qualificado
Para a chefe da Unidade de Saúde da Mulher da Maternidade-Escola da UFRJ, Maria Isabel Peixoto, um pré-natal precoce e de qualidade é decisivo para a segurança da gestante. “Quando acompanhamos desde o início e monitoramos fatores de risco, conseguimos encaminhar a paciente para um parto assistido e com desfecho favorável”, afirma.
Multidisciplinaridade como reforço
O enfermeiro obstétrico Renné Costa, que atua no Hospital Municipal de Viçosa (AL), defende a atuação integrada de profissionais. Desde 2009, ele já assistiu mais de 5 mil partos sem registrar mortes maternas ou neonatais. Segundo Costa, a autonomia da enfermagem prevista na Lei 7.498/1986 viabilizou a ampliação de 90 para 600 partos anuais na unidade.
Puerpério sob vigilância
A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão de Gestação de Alto Risco da Febrasgo, adverte que o período pós-parto concentra riscos silenciosos. Ela recomenda retorno ao serviço de saúde entre sete e dez dias após o parto para monitorar sinais como sangramento excessivo, febre, falta de ar e picos hipertensivos. A especialista também alerta para a saúde mental, destacando que tristeza intensa, ansiedade e sensação de incapacidade exigem atenção imediata.
Programa federal mira redução de 25% até 2027
Em 2024, o governo federal lançou a Rede Alyne, que pretende diminuir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% entre mulheres pretas até 2027. O nome homenageia Alyne Pimentel, que morreu em 2002, grávida de seis meses, após negligência no atendimento. A iniciativa reorganiza a assistência pré-natal, parto e puerpério, com foco no cuidado humanizado e na superação de desigualdades regionais e étnico-raciais.
Apesar dos avanços pontuais, especialistas ressaltam que a redução sustentada das mortes depende de cobertura de pré-natal, qualificação das equipes, acesso a unidades de referência e vigilância no puerpério. A meta de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos ainda exige investimentos contínuos e fiscalização de protocolos em todo o território nacional.
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Crédito da imagem: Jas/Pixabay
Fonte: Agência Brasil
