Fiocruz produzirá remédio contra esclerose múltipla para o SUS A cladribina oral, medicamento de alto custo já oferecido na rede pública, passará a ser fabricada no país, reduzindo despesas e expandindo o tratamento de pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente.
Fiocruz produzirá remédio contra esclerose múltipla para o SUS
Impacto financeiro para o SUS
Atualmente, cada ciclo de cinco anos de tratamento com cladribina custa, em média, quase R$ 140 mil por paciente. A produção nacional pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) deve diminuir significativamente esse valor, permitindo que o Sistema Único de Saúde (SUS) amplie a oferta do medicamento. A estimativa oficial aponta cerca de 3,2 mil pessoas com esclerose múltipla altamente ativa no país, mas mais de 30 mil convivem com a forma remitente-recorrente — justamente o público-alvo do fármaco.
Parceria estratégica consolida cadeia produtiva
O acordo reúne Farmanguinhos, a farmacêutica Merck (detentora da marca comercial Mavenclad) e a indústria química-farmacêutica Nortec. De acordo com a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, trata-se do primeiro medicamento do instituto focado no tratamento da esclerose múltipla. Ela destaca que a cooperação fortalece o complexo econômico-industrial da saúde ao gerar empregos especializados e garantir autonomia tecnológica.
Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, iniciativas desse tipo reforçam a importância estratégica dos laboratórios públicos ao reduzir preços, assegurar qualidade e sustentar programas do SUS. A Fundação mantém, ainda, outros dois projetos com a Merck: a produção da betainterferona 1a, também usada contra esclerose múltipla, e de um medicamento infantil contra esquistossomose.
Benefícios clínicos da cladribina
A cladribina é o primeiro tratamento oral de curta duração com efeito prolongado para a forma remitente-recorrente da doença. Graças a essa característica, integra a Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Estudos apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) indicaram redução de lesão neuronal após dois anos de uso. Outros trabalhos mostram que 81 % dos pacientes mantiveram a capacidade de caminhar sem apoio e mais da metade não precisou de terapias adicionais.
Perspectivas para pacientes brasileiros
Com a fabricação local, espera-se que o SUS amplie rapidamente a cobertura, beneficiando pessoas que, mesmo sob terapia convencional, enfrentam surtos frequentes ou progressão acelerada da enfermidade. A chegada do primeiro lote nacional está prevista para ocorrer após a transferência total de tecnologia entre as empresas parceiras.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
