Chikungunya em Dourados: prefeitura decreta calamidade e inicia vacinação A prefeitura de Dourados, em Mato Grosso do Sul, editou decreto que reconhece situação de calamidade em saúde pública após o avanço expressivo da chikungunya, superando 6,1 mil casos prováveis e elevando a ocupação de leitos a 110%.
Chikungunya em Dourados: prefeitura decreta calamidade e inicia vacinação
Calamidade vale por 90 dias
O documento, publicado após recomendação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), permanecerá em vigor por 90 dias. Antes disso, o município já havia declarado duas situações de emergência: uma em saúde pública, em 20 de março, e outra em defesa civil, uma semana mais tarde. A nova medida amplia a possibilidade de mobilizar recursos e reforçar equipes para conter o surto tanto na Reserva Indígena de Dourados quanto nos bairros urbanos.
Campanha de vacinação começa em 27 de abril
O primeiro lote de imunizantes chegou na noite de 17 de abril, e a distribuição para todas as salas de vacina, incluindo as unidades de saúde indígena, ocorrerá em 24 de abril. A aplicação das doses terá início em 27 de abril, com previsão de ação drive-thru no pátio da prefeitura no feriado de 1º de maio, das 8h às 12h.
Público-alvo e restrições
Seguindo nota técnica do Ministério da Saúde, somente pessoas de 18 a 59 anos poderão receber a vacina. A meta inicial é atingir 27% desse grupo — cerca de 43 mil moradores. Gestantes, lactantes, imunossuprimidos, transplantados recentes, pacientes em quimioterapia ou radioterapia, pessoas com HIV/aids, doenças autoimunes ou pelo menos duas condições crônicas estão entre as contraindicações listadas. Indivíduos que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias, febre alta, ou que tomaram vacinas de vírus atenuado há menos de 28 dias também serão temporariamente afastados da campanha.
Capacitação de profissionais
Nos dias 22 e 23 de abril, enfermeiros da rede municipal participam de treinamento para triagem de comorbidades e orientação ao público. A expectativa é de que o processo de imunização seja mais demorado que o habitual, pois cada usuário passará por avaliação clínica antes da aplicação.
Repasse federal de R$ 900 mil
Em março, o Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil, creditado em parcela única no Fundo Municipal de Saúde. O valor deve financiar ações de vigilância, controle do vetor Aedes aegypti e qualificação da assistência. Detalhes sobre o uso dos recursos constam em nota da pasta disponível no portal do Ministério da Saúde.
Panorama da doença no Brasil
Introduzida no país em 2014, a chikungunya já apresenta transmissão em todos os estados, com expansão significativa na Região Sudeste a partir de 2023. Os sintomas principais são dor articular incapacitante e edema; casos graves podem exigir internação e, em situações extremas, levar ao óbito.
Dourados soma, até 20 de abril, 4.972 casos prováveis (2.074 confirmados), 1.212 descartados e 2.900 ainda em investigação. O município contabiliza oito mortes, sendo sete na reserva indígena.
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Crédito da imagem: Butantã/Divulgação
Fonte: Agência Brasil
