Expulsão de delegado dos EUA gera reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou medidas de reciprocidade contra agentes norte-americanos atuando no Brasil.
Expulsão de delegado dos EUA: Lula promete reciprocidade
Presidente critica “abuso de autoridade”
Durante viagem oficial à Alemanha, Lula classificou como “ingerência” a decisão do governo de Donald Trump que determinou a saída de um delegado da Polícia Federal dos Estados Unidos. “Se houve abuso contra o nosso policial, faremos a reciprocidade”, declarou o chefe do Executivo brasileiro a jornalistas.
Origem do conflito diplomático
O Office of Western Hemisphere Affairs, órgão do Departamento de Estado norte-americano, informou em publicação na rede social X que o servidor brasileiro teria “tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica” para efetivar a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por participação em trama golpista.
Na postagem, o governo dos EUA afirmou que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para estender perseguições políticas ao território americano” e, por isso, solicitou a retirada do policial do país.
Ramagem foi preso e liberado na Flórida
Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido em Orlando com base em cooperação policial internacional, segundo informou a Polícia Federal. Dois dias depois, foi solto e segue em território norte-americano enquanto aguarda a tramitação do pedido formal de extradição, encaminhado em dezembro de 2025 pelo ministro Alexandre de Moraes.
Reciprocidade deve atingir agentes dos EUA no Brasil
Lula não detalhou quais medidas pretende adotar, mas indicou que diplomatas e agentes norte-americanos poderão ser alvo de providências equivalentes. O princípio da reciprocidade é instrumento recorrente na diplomacia para equilibrar ações consideradas desequilibradas entre nações, conforme explicam especialistas consultados pelo The New York Times.
Reações e próximos passos
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro aguarda comunicação formal de Washington para decidir sobre eventuais retaliações. Integrantes do Itamaraty ponderam que a crise pode impactar negociações em curso nas áreas de segurança e comércio bilateral.
Enquanto isso, a defesa do ex-deputado Ramagem tenta suspender o processo de extradição alegando “perseguição política”, argumento rejeitado pelo STF ao proferir a sentença de 16 anos por crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O desenrolar do impasse diplomático permanece em aberto, e novas manifestações oficiais de ambos os governos são aguardadas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
