Lula critica conflito no Oriente Médio e fala em “guerra da insensatez” Lula afirmou que a atual escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã representa “uma guerra da insensatez”, enfatizando que a disputa poderia ter sido evitada por meio da diplomacia.
Presidente aponta impasse nuclear como origem do conflito
Durante viagem oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a possibilidade de nova onda de hostilidades na região do Oriente Médio. Ele relembrou o acordo nuclear firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, rejeitado na ocasião por Washington e pela União Europeia, como ponto perdido que poderia ter prevenido o cenário atual.
Segundo Lula, os Estados Unidos “não precisavam demonstrar força diariamente” e poderiam ter resolvido a questão “sem mortes, sem bombas, sentados à mesa de negociação”. Para o presidente, a recusa daquele entendimento está na raiz do conflito que, agora, volta à mesa de discussões nucleares.
Impacto econômico recai sobre a população
O chefe do Executivo brasileiro afirmou que, caso a crise se agrave, os maiores prejudicados serão cidadãos comuns ao redor do mundo. “Quem vai pagar o preço disso é quem compra carne, feijão, arroz”, alertou, relacionando a possível alta nos combustíveis e nos alimentos ao prolongamento das disputas.
Lula classificou o confronto como “guerra da insensatez”, pois, segundo ele, “tudo poderia ter sido solucionado há 14 anos”. Ele lamentou que o debate, suspenso desde a primeira rodada de negociações entre norte-americanos e iranianos, só ganhe força quando a ameaça militar aumenta.
Contexto internacional reforça urgência diplomática
A retomada das conversas sobre o programa nuclear iraniano acontece em um momento de instabilidade regional, com receio de que novos ataques elevem o preço do petróleo e pressionem a economia global. Especialistas citados pela BBC News lembram que cada dólar a mais no barril tem reflexo direto nos índices de inflação.
Para Lula, o esforço diplomático deve priorizar “sentar para negociar”, retomando bases já discutidas. Ele defendeu que o Brasil permaneça engajado em fóruns multilaterais, reforçando o chamado ao diálogo inclusive no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.
No Brasil, analistas de política externa veem a fala presidencial como tentativa de recolocar o país no centro das discussões sobre paz e segurança internacionais, papel que Brasília buscou exercer em 2010.
O posicionamento do presidente ocorre em meio a sua agenda na Europa, onde busca apoio para iniciativas de combate à fome e mudança climática, pautas que também podem ser afetadas pela instabilidade no Oriente Médio.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Agência Brasil
