Dengue aumenta risco de Síndrome de Guillain-Barré em 17 vezes
Dengue aumenta risco de Síndrome de Guillain-Barré em 17 vezes — pesquisa conduzida pela Fiocruz Bahia e pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres indica que pacientes infectados pelo vírus têm probabilidade 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas seis semanas posteriores à infecção, chegando a um aumento de 30 vezes nas duas primeiras semanas de sintomas.
Dengue aumenta risco de Síndrome de Guillain-Barré em 17 vezes
Publicados no periódico científico New England Journal of Medicine, os resultados estimam que, para cada 1 milhão de casos de dengue, 36 pessoas podem evoluir para SGB. Embora o número absoluto seja pequeno, os autores alertam para a relevância diante das sucessivas epidemias brasileiras.
A SGB é uma complicação neurológica rara em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular ascendente que, em situações graves, pode levar à paralisia respiratória. A recuperação é possível, mas pode demorar meses e deixar sequelas permanentes.
Os cientistas analisaram três grandes bases do Sistema Único de Saúde (SUS) — internações hospitalares, notificações de dengue e registros de óbitos — e identificaram mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024. Desse total, 89 ocorreram logo após manifestações clínicas de dengue.
Com 14 milhões de infecções por dengue registradas globalmente em 2024 e o Brasil superando 6 milhões de casos prováveis, os pesquisadores defendem a inclusão imediata da SGB nos protocolos de vigilância pós-dengue. Durante surtos, unidades de saúde devem estar preparadas para reconhecer sinais de fraqueza muscular, disponibilizar leitos de terapia intensiva e suporte ventilatório, além de acionar estratégias de vigilância ativa nas semanas subsequentes ao pico da doença.
O diagnóstico rápido é crucial: tratamentos como imunoglobulina ou plasmaférese apresentam melhores resultados quando iniciados precocemente. Por isso, médicos, enfermeiros e neurologistas são orientados a suspeitar de SGB em qualquer paciente com história recente de dengue que relate formigamento ou dificuldade para caminhar.
Sem antiviral específico para dengue, o manejo permanece focado em hidratação e suporte clínico. Dessa forma, medidas preventivas — combate ao Aedes aegypti e vacinação — seguem como estratégias mais eficazes para reduzir tanto a infecção quanto complicações graves, enfatizam os autores.
A relação entre arboviroses e distúrbios neurológicos já fora evidenciada na epidemia de Zika em 2015-2016, quando houve aumento expressivo de SGB em adultos e casos de microcefalia em recém-nascidos. A dengue pertence à mesma família viral, reforçando a necessidade de vigilância permanente.
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Crédito da imagem: nuzeee/Pixabay
Fonte: Agência Brasil
