Escala 6×1: Lula cobra mobilização das centrais sindicais
Escala 6×1 — Um dia após enviar ao Congresso o projeto que limita a jornada a 40 horas semanais e elimina o regime de seis dias de trabalho por um de descanso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, 68 reivindicações apresentadas por dirigentes de centrais sindicais reunidos em Brasília, na última quarta-feira (15 de abril de 2026).
Presidente pede pressão contínua sobre o Congresso
Aos representantes de nove centrais, Lula afirmou que a aprovação da proposta depende da mobilização dos trabalhadores. “Cada vez que um projeto chega ao Parlamento, é preciso que vocês ajudem”, declarou, ressaltando que o cenário político exige “muito sacrifício” para avançar em conquistas trabalhistas.
Origem do projeto e homenagem a ativista
O texto que extingue a escala 6×1 foi inspirado no movimento “Vida Além do Trabalho”, criado pelo ex-balconista Rick Azevedo após enfrentar burnout e depressão. Lula sugeriu que, se aprovado, o dispositivo leve o nome do ativista, cujo vídeo de denúncia viralizado nas redes impulsionou o debate sobre excesso de jornada.
Críticas às reformas recentes
Durante a reunião, o presidente criticou as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), classificando-as como “retrocessos”. Ele também alertou para propostas semelhantes às adotadas na Argentina, que permitem até 12 horas diárias de trabalho, defendidas por setores da oposição.
Pontos principais da pauta sindical
As 68 demandas entregues ao governo abrangem os próximos cinco anos e foram detalhadas por Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais. Entre os temas estão a proteção a trabalhadores por aplicativo, combate ao feminicídio, transição tecnológica e impactos da mudança climática sobre o emprego. Estudos recentes da Organização Internacional do Trabalho apontam que mulheres e jovens serão os grupos mais afetados pela automação e pela inteligência artificial.
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Geração de empregos e qualidade de vida
Para Adilson Araújo, presidente da CTB, a redução para 40 horas semanais pode criar até 4 milhões de vagas formais. Miguel Torres, da Força Sindical, avaliou que o debate “já está maduro” e frisou que menos tempo de trabalho significa mais oportunidades para família, saúde, lazer e estudo. A presidenta da NCST, Sônia Zerino, defendeu que a agenda trabalhista incorpore o enfrentamento à violência de gênero.
Com o envio do projeto, o Palácio do Planalto conta agora com a articulação parlamentar e a pressão popular para encerrar definitivamente o modelo de escala 6×1. O governo aposta que o tema ganhará força nos próximos meses, especialmente diante das discussões sobre inclusão produtiva e sustentabilidade socioambiental.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
