Lula defende o Pix e rebate críticas citadas pelo governo dos EUA Em 2 de abril de 2026, durante evento em Salvador (BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central continuará ativo e será aprimorado “para servir aos brasileiros”, apesar das objeções registradas em relatório comercial norte-americano.
Lula defende o Pix e rebate críticas citadas pelo governo dos EUA
Lula destacou que o Pix é do Brasil e não será alterado “por pressões externas”. A declaração foi resposta direta ao Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O documento indica que empresas norte-americanas enxergam suposto tratamento preferencial do Banco Central (BC) ao Pix, em prejuízo de outros meios de pagamento digitais.
O texto do USTR observa que o BC “criou, detém, opera e regula o Pix” e que instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a disponibilizar o serviço. Para as companhias dos Estados Unidos, tal exigência poderia dificultar a atuação de provedores estrangeiros e reduzir a concorrência no mercado brasileiro de pagamentos eletrônicos.
Criado em novembro de 2020, após estudos iniciados em 2018, o Pix virou ferramenta central de inclusão financeira no país. Segundo dados oficiais, mais de 160 milhões de chaves estavam registradas até março de 2026, com transações que superam R$ 17 trilhões anuais.
As críticas dos EUA não são inéditas. Em 2025, Washington abriu investigação interna sobre eventuais práticas comerciais desleais atribuídas ao Brasil, citando novamente o Pix. À época, especulou-se que a apuração relacionava-se à decisão do BC de vetar o lançamento do WhatsApp Pay, da Meta, em 2020. O Ministério das Relações Exteriores rebateu, dizendo que o sistema brasileiro garante neutralidade, segurança e não discrimina empresas estrangeiras. O Itamaraty também lembrou que bancos centrais de diversos países, inclusive o Federal Reserve, testam plataformas similares.
Em Salvador, Lula participou de entregas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a mobilidade urbana, visitando as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O projeto concentra R$ 1,1 bilhão em investimentos federais e já opera em fase de testes. O ato marcou, ainda, a despedida de Rui Costa da Casa Civil; ele deixa o cargo para disputar vaga no Senado, sendo substituído por Miriam Belchior.
Ao reforçar a importância do Pix, Lula declarou que o governo pretende “aperfeiçoar o sistema” para ampliar o acesso da população e reduzir custos bancários. O presidente reiterou que decisões sobre o serviço cabem ao Banco Central e que quaisquer mudanças visam “garantir autonomia financeira aos brasileiros”.
Especialistas avaliam que a controvérsia pode ganhar novos capítulos na Organização Mundial do Comércio, caso o governo dos EUA avance com consultas formais. Por enquanto, Brasília mantém a posição de que o Pix é política pública de infraestrutura financeira, não subsídio comercial.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert / PR
Fonte: Ricardo Stuckert / PR
