Violência sexual entre adolescentes atinge 25% das estudantes, diz IBGE é o alerta trazido pela edição 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe). O levantamento, realizado com 118.099 jovens de 13 a 17 anos em 4.167 escolas públicas e privadas do país, mostra que uma em cada quatro meninas relatou ter sido vítima de toques, beijos ou exposição de partes íntimas sem consentimento.
Violência sexual entre adolescentes atinge 25% das estudantes, diz IBGE
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prevalência de violência sexual contra estudantes do sexo feminino aumentou 5,9 pontos percentuais em comparação com 2019, última edição da pesquisa. Além disso, 11,7% das entrevistadas declararam ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, avanço de 2,9 pontos percentuais no período.
Embora as meninas sejam as principais vítimas, o estudo confirma que adolescentes de ambos os gêneros enfrentam o problema: somados, mais de 2,2 milhões relataram assédio e 1,1 milhão, relação sexual forçada.
Agressões partem do círculo íntimo
O IBGE solicitou que os alunos indicassem quem cometeu a violência. Entre aqueles que sofreram relação forçada, 8,9% apontaram pai, padrasto, mãe ou madrasta; 26,6% outros familiares; 22,6% namorados ou ex-namorados; e 16,2% amigos. Nos episódios de toques ou beijos sem consentimento, “outro conhecido” lidera com 24,6%, seguido de outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%).
Os participantes puderam assinalar múltiplas respostas, o que indica repetição ou ocorrência com diferentes agressores.
Idade e rede de ensino influenciam
Casos de assédio foram mais relatados por jovens de 16 e 17 anos. Já entre os que sofreram relação forçada, 66,2% tinham 13 anos ou menos no momento da agressão. A violência mostrou-se mais frequente em escolas públicas: 9,3% dos alunos dessas instituições afirmaram ter sido coagidos a sexo, contra 5,7% da rede privada.
Consequências: gravidez precoce e pouca proteção
A PeNSe estimou que cerca de 121 mil alunas de 13 a 17 anos já engravidaram ao menos uma vez, correspondente a 7,3% das jovens sexualmente ativas, sendo 98,7% da rede pública. Em cinco estados — Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas — o índice supera 10%.
Quando o assunto é prevenção, 61,7% dos estudantes usaram camisinha na primeira relação; na relação mais recente, o indicador cai para 57,2%. Outros métodos contraceptivos, como pílula anticoncepcional (51,1%) e pílula do dia seguinte (11,7%), aparecem com uso significativo, mas quatro em cada dez meninas já recorreram à contracepção de emergência alguma vez.
Iniciação sexual começa cedo
Mesmo havendo queda no percentual de alunos que já iniciaram a vida sexual — 30,4% em 2024, cinco pontos a menos que em 2019 — a idade média da primeira relação permanece baixa: 13,3 anos para meninos e 14,3 para meninas. A legislação brasileira estabelece 14 anos como idade mínima de consentimento, configurando estupro de vulnerável qualquer ato sexual abaixo desse limite.
Especialistas da Unicef alertam que o reconhecimento precoce de situações de abuso é fundamental para romper o ciclo de violências e garantir acolhimento às vítimas.
Para aprofundar o tema e acompanhar outras pautas de saúde e direitos da infância, visite a editoria Saúde do Giro pela Bahia e continue informado.
Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
