Gás da Bolívia volta ao centro da pauta energética brasileira após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o boliviano Rodrigo Paz, quando ambos sinalizaram interesse em elevar a produção no país andino e importar volumes maiores para o mercado nacional.
Gás da Bolívia: Brasil negocia ampliação da produção e importação
Em visita oficial ao Palácio do Planalto, na última segunda-feira (16), Lula classificou a cooperação energética como “pilar estruturante” da relação bilateral e ressaltou que, mesmo diante de conflitos globais que pressionam o fornecimento de combustíveis, a Bolívia mantém-se como principal fonte externa de gás natural para o Brasil.
O presidente brasileiro lembrou que a Petrobras ajudou a construir, ao longo de décadas, uma das mais relevantes experiências de integração energética da América Latina. A estatal, que já chegou a produzir 60 % do gás boliviano, responde hoje por 25 % da extração local. Segundo Lula, a meta agora é retomar investimentos para aumentar a oferta e, consequentemente, o volume exportado via Gasoduto Brasil-Bolívia.
Gasoduto pode ampliar integração no Cone Sul
Inaugurado em 1999, o Gasoduto Brasil-Bolívia sustentou a expansão da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos do país vizinho. De acordo com Lula, a infraestrutura também poderá abastecer uma futura fábrica de fertilizantes em Puerto Quijaro, projeto analisado pelo governo de Paz, além de estimular a conexão dos mercados de gás do Cone Sul.
Para o mandatário boliviano, a capacidade de desenvolvimento de seu país depende de parcerias sólidas com “nações irmãs, como o Brasil”. Paz destacou ainda o potencial de cooperação em mineração, área na qual a Bolívia possui diversidade e grandes concentrações de minerais estratégicos.
Interligação elétrica e biocombustíveis entram no pacote
Além do gás natural, Brasília e La Paz assinaram acordo para interconectar sistemas elétricos. O plano prevê a construção de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch, em Santa Cruz, e o município de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, medida que, segundo Lula, otimizará recursos já existentes e levará energia a regiões hoje dependentes de geradores a diesel.
Outra frente em estudo é a cooperação em biocombustíveis e outras fontes renováveis, estratégia que pode fortalecer a segurança energética e acelerar a descarbonização das economias de ambos os países.
Comércio e infraestrutura completam agenda bilateral
Na coletiva, Lula lembrou que o Brasil é o segundo principal parceiro comercial da Bolívia. Entretanto, o intercâmbio recuou de US$ 5,5 bilhões, em 2013, para US$ 2,6 bilhões, em 2025. O governo aposta na construção de uma segunda ponte sobre o Rio Mamoré, ligando Guajará-Mirim (RO) a Guayaramerín (Beni), com obras previstas para 2027, como forma de destravar a logística regional e acessar portos do Pacífico.
Empresários dos dois países também tentam recuperar o ritmo dos negócios. Nesta terça-feira (17), Rodrigo Paz abre, em São Paulo, um fórum com cerca de 120 empresários bolivianos. No ano anterior, mais de 100 empresas brasileiras já haviam marcado presença na Expocruz, maior feira multissetorial da América do Sul.
Outro acordo assinado durante a visita fortalece a cooperação contra o crime organizado transnacional, incluindo combate ao narcotráfico, tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e cibernéticos.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o consumo brasileiro de gás natural apresentou recuperação nos últimos anos, reforçando a urgência de diversificar fornecedores e expandir infraestruturas de transporte.
Com a possível ampliação do suprimento boliviano, o governo brasileiro espera reduzir custos industriais, garantir competitividade às empresas nacionais e estimular a transição para uma matriz energética menos intensiva em carbono.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
