Trump diz poder fazer com Cuba “qualquer coisa” em meio a diálogo
Trump diz poder fazer com Cuba “qualquer coisa” ao comentar as negociações que buscam suavizar as tensas relações entre Washington e Havana, marcadas por mais de seis décadas de desconfiança.
Declaração eleva tensão no momento de conversas bilaterais
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou a repórteres que “terá a honra de tomar Cuba” e que “pode fazer o que quiser” com a ilha caribenha. A afirmação ocorreu durante um evento no Salão Oval, quando jornalistas perguntaram sobre o andamento das conversas com o governo cubano.
As negociações atuais buscam restaurar algum nível de cooperação após um período de forte antagonismo. Segundo o serviço internacional da Reuters, interlocutores dos dois países discutem possíveis condições para a retomada de relações diplomáticas plenas.
Casa Branca mira saída de Díaz-Canel, dizem fontes
Reportagem do New York Times, citando quatro fontes próximas às tratativas, indicou que a destituição do presidente cubano Miguel Díaz-Canel é vista por Washington como um passo essencial. O governo norte-americano, porém, deixaria aos cubanos a definição de como concretizar essa transição.
Cuba historicamente rejeita qualquer intervenção em seus assuntos internos e enxerga propostas dessa natureza como barreiras intransponíveis para qualquer pacto. Díaz-Canel, 65 anos, tem afirmado que o diálogo só avançará se houver respeito mútuo à soberania e aos sistemas políticos de cada nação.
Crise energética pressiona governo cubano
No mesmo período, a ilha enfrenta forte escassez de combustível após a suspensão, pelos EUA, dos embarques de petróleo venezuelano destinados a Havana. Sem novos carregamentos há cerca de três meses, o governo cubano impôs racionamento de energia, e um colapso na rede elétrica deixou os 10 milhões de habitantes no escuro.
A medida foi anunciada por Trump logo após a deposição do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, movimento que também incluiu ameaças de tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba. A Casa Branca, contudo, ainda não apresentou a base legal para uma eventual intervenção direta na ilha, reminiscente das tensões da Crise dos Mísseis de 1962.
Próximos passos ainda indefinidos
Trump afirmou que pretende “resolver o Irã antes de Cuba”, sinalizando que outras frentes de política externa podem influenciar a velocidade das negociações. Enquanto isso, especialistas observam que as sanções energéticas intensificam a pressão interna sobre Díaz-Canel, mas também fortalecem o discurso de resistência em Havana.
No cenário diplomático, permanece a dúvida sobre como — e se — o diálogo avançará diante de exigências consideradas inegociáveis por Cuba. A falta de claridade jurídica sobre uma possível ação militar reforça incertezas em organismos internacionais e entre aliados regionais.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
