Palácio de Golestan sofre danos em ataque aéreo em Teerã O Palácio de Golestan, joia arquitetônica da capital iraniana e Patrimônio Mundial da Unesco, apresentou danos estruturais após um ataque aéreo contra a Praça Arag, em Teerã, confirmado em comunicado recente da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Palácio de Golestan sofre danos em ataque aéreo em Teerã
No documento, a Unesco informou que monitora o estado de conservação do patrimônio cultural no Irã e em regiões vizinhas, além de ter encaminhado às partes envolvidas nas hostilidades as coordenadas geográficas precisas dos sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial. O objetivo, segundo o texto, é “evitar qualquer dano potencial”. A agência também recordou a validade da Convenção da Haia de 1954, que protege bens culturais em situações de conflito armado.
Considerado uma obra-prima da era do Império Cajar, o Palácio de Golestan data do fim do século XVIII e mistura elementos tradicionais persas com influências ocidentais. Por quase um século, serviu como sede do governo da dinastia Cajar, que elevou Teerã à condição de capital em 1779. Seus salões ornamentados, azulejos coloridos e jardins simétricos atraem milhares de visitantes todos os anos.
Tensão regional provoca nova escalada militar
Os danos identificados surgem no contexto de uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos, iniciada no último sábado (28 de fevereiro de 2026). Essa foi a segunda operação em oito meses, ocorrendo em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico de Teerã. Autoridades iranianas confirmaram a morte de figuras proeminentes, como o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Em resposta, o Irã lançou mísseis contra nações do Golfo que abrigam bases norte-americanas, incluindo Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. A troca de ataques reacendeu preocupações internacionais sobre a segurança de bens culturais na região, cenário que já motivou a Unesco a oferecer diretrizes especiais de proteção em conflitos passados.
Acordo nuclear permanece sem consenso
O impasse em torno do programa nuclear iraniano se agravou desde que Washington abandonou, ainda no primeiro mandato de Donald Trump, o acordo de 2015 que previa inspeções internacionais. Reeleito em 2024, Trump impôs novas exigências, entre elas o desmantelamento completo do arsenal de mísseis balísticos iranianos e a cessação do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Já Teerã insiste que seu desenvolvimento nuclear tem fins pacíficos.
Enquanto o diálogo permanece estagnado, organismos internacionais alertam que sítios históricos como o Palácio de Golestan podem se tornar vítimas colaterais. Especialistas lembram que, além de sua importância cultural, o complexo simboliza a herança arquitetônica que conecta o Irã à história mundial.
No momento, as equipes locais avaliam a extensão dos prejuízos no palácio. Não há prazo definido para a conclusão dos reparos, mas autoridades iranianas sinalizaram que priorizarão a restauração dos espaços mais afetados, a fim de preservar a autenticidade do monumento.
Para acompanhar desdobramentos sobre conflitos no Oriente Médio e seus impactos culturais, visite nossa editoria Internacional e continue informado.
Crédito da imagem: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
Fonte: Agência Brasil
