Tratamento de fibromialgia pelo SUS passa a contar com protocolos mais abrangentes, definidos pelo Ministério da Saúde no início de fevereiro, para garantir atendimento multidisciplinar, maior capacitação médica e inclusão de terapias não medicamentosas.
Tratamento de fibromialgia pelo SUS ganha novas diretrizes
O que muda com o novo protocolo oficial
As diretrizes publicadas pelo Ministério da Saúde estabelecem que pacientes com fibromialgia tenham acesso a um plano terapêutico estruturado diretamente na rede pública. O documento determina:
- Capacitação contínua de profissionais da Atenção Primária para reconhecer sintomas precocemente;
- Oferta de fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional sem necessidade de encaminhamento externo;
- Integração de avaliações periódicas para medir evolução clínica e ajustar medicação.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), José Eduardo Martinez, a iniciativa “aumenta a visibilidade da síndrome e reduz o tempo entre a queixa inicial e o diagnóstico”. Em entrevista concedida na terça-feira, 24 de fevereiro, o especialista ressaltou que a dor generalizada, acompanhada de fadiga e distúrbios do sono, exige abordagem multiprofissional.
Sintomas e diagnóstico clínico
A fibromialgia atinge de 2,5 % a 5 % da população brasileira, com predominância feminina entre 30 e 50 anos. Estudos citados pela revista Rheumatology e pelo National Institutes of Health (NIH) indicam que fatores hormonais e genéticos podem estar associados, embora a causa permaneça indefinida.
Entre os sintomas mais relatados estão:
- Dor persistente em todo o corpo;
- Formigamento em mãos e pés;
- Problemas de sono, como insônia e apneia;
- Sensibilidade a luz, ruídos e cheiros;
- Alterações de humor, incluindo depressão e ansiedade;
- Dificuldades cognitivas, como lapsos de memória.
Não há exame laboratorial específico; o diagnóstico é essencialmente clínico, fundamentado no relato do paciente e na exclusão de outras doenças, como artrose. Martinez recomenda que qualquer suspeita seja avaliada por reumatologista ou pela equipe de uma Unidade Básica de Saúde.
Direitos ampliados por lei federal
Desde a sanção da Lei 15.176/2025, a fibromialgia é reconhecida como deficiência, garantindo benefícios como cotas em concursos públicos, isenção de impostos na compra de veículos adaptados, aposentadoria por invalidez e Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas de baixa renda. A nova cartilha do SUS reforça esses direitos e orienta os serviços de saúde sobre a documentação necessária para laudos periciais.
Terapias farmacológicas e não farmacológicas
A orientação da SBR destaca que exercícios de baixo impacto, alongamentos e técnicas de relaxamento são aliados indispensáveis para reduzir a dor e melhorar a qualidade do sono. Quando necessário, antidepressivos e anticonvulsivantes são utilizados para modular a percepção de dor, mas devem ser prescritos em conjunto com intervenções psicoterápicas. “O diálogo entre psiquiatra e reumatologista evita interações medicamentosas indesejadas”, alerta Martinez.
Com a implementação das novas diretrizes, espera-se que mais pacientes tenham acesso a acompanhamento longitudinal, reduzindo o impacto socioeconômico da doença e promovendo reabilitação funcional.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
