Irmãos Brazão condenados: Anielle Franco vê recado contra deboche
Irmãos Brazão condenados a 76 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão divulgada na última quarta-feira (25 de fevereiro), levaram a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a declarar que a sentença é um recado direto a quem ironizou o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro.
Irmãos Brazão condenados: Anielle Franco vê recado contra deboche
Ao acompanhar o julgamento presencialmente, Anielle relembrou que a família sofreu ataques e chacotas durante quase oito anos de investigação. “Uma parcela da sociedade tratou a morte da minha irmã como algo descartável, chamando nosso clamor por Justiça de ‘mimimi’. A condenação mostra que esse tipo de postura não será tolerado”, afirmou a ministra.
A Primeira Turma do STF responsabilizou os ex-deputados Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes do crime, além de aplicar penas severas a outros três réus. Segundo nota oficial do Supremo Tribunal Federal, o colegiado considerou provas de premeditação e motivação política.
Família sente alívio após quase oito anos de espera
Marinete Silva, mãe de Marielle, classificou o julgamento como “histórico” e disse sair do STF com o coração “acalentado”. “A pergunta que ecoava pelo mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje nós sabemos”, declarou. O pai da vereadora, Antonio Francisco, passou mal durante a sessão, registrando pico de pressão; após atendimento médico, disse que a sentença encerra um longo período de angústia.
Também presente, Agatha Reis, viúva de Anderson Gomes, ressaltou que a decisão renova a confiança na Justiça. “Ainda há esperança; o mal não vai sobreviver”, afirmou. Fernanda Chaves, assessora de Marielle e sobrevivente do ataque, avaliou que o STF deu um passo decisivo no combate à violência de gênero na política, classificando o caso como feminicídio político.
Mensagem para o cenário político
Anielle Franco acrescentou que a punição deve servir de exemplo para futuros casos de violência contra agentes públicos. “O Estado brasileiro deixa claro que crimes dessa natureza não ficarão impunes”, concluiu. A ministra, que assumiu a pasta da Igualdade Racial em 2023, chegou a participar de campanhas internacionais exigindo esclarecimento sobre o crime.
Ainda cabem recursos, mas, com a decisão, os condenados deverão iniciar o cumprimento da pena em regime fechado. Especialistas apontam que o caso pode estabelecer jurisprudência para outras situações de violência política no país.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
