Canto na terceira idade impulsiona integração de gerações em Salvador desponta como prática que alia técnica vocal, acolhimento emocional e troca de experiências, comprovando que sonhar e cantar não têm limite de idade.
Canto na terceira idade impulsiona integração de gerações em Salvador
Em Salvador, o desejo de cantar ganhou fôlego entre pessoas acima dos 60 anos, que encontram na atividade um caminho para ressignificar histórias e melhorar a qualidade de vida. Na escola de formação musical Cantoário, localizada no bairro do Rio Vermelho, a metodologia une exercícios técnicos de voz a um ambiente de escuta sem julgamentos, reforçando a ideia de que “não existe voz sem vivência”.
A professora e idealizadora do espaço, Mylane Mutti, explica que o acolhimento é parte central do trabalho. “Integramos humanidade e voz o tempo todo. O resultado aparece não só na evolução vocal, mas no afeto que transforma a comunidade diariamente”, afirma. Essa abordagem tem atraído um público cada vez mais diverso, ampliando a convivência entre faixas etárias.
Exemplo disso é a rotina de Demó Santana, 67 anos. Ela revela que apenas recentemente passou a estudar canto de forma regular, depois do incentivo de uma amiga. “Para mim, cantar é escutar sentimentos, é pulsar no ritmo do coração”, descreve, ressaltando que a prática ajudou a vencer bloqueios de timidez.
Do outro lado da faixa etária, a estudante de 23 anos Sarah Ferreira reconhece o impacto dessas relações intergeracionais. “Estar com pessoas mais maduras, cada uma com uma trajetória própria, fez de mim uma artista mais completa. Levo um pouco de cada voz que encontro para o palco”, comenta.
A interação entre gerações se fortalece em iniciativas como a oficina “Voz em Cena”, projeto de verão que integra teatro e música e reúne participantes de 13 a 60 anos em processos criativos conjuntos. Segundo Mylane, novas turmas serão abertas em março, mantendo a proposta de produzir espetáculos e rodas de conversa onde emoções e histórias se cruzam.
Especialistas em envelhecimento ativo defendem que atividades artísticas como o canto estimulam cognição, socialização e autoestima. A Organização Mundial da Saúde destaca que o engajamento cultural contribui para um envelhecimento saudável, reforçando a relevância de projetos voltados para o público 60+.
Além das aulas individuais, o Cantoário oferece sessões em grupo que incentivam a troca de repertório e o reconhecimento mútuo. “Ninguém canta sozinho”, resume Mylane. No ambiente, a curiosidade da juventude se mistura à memória da maturidade, criando apresentações coletivas que evidenciam a potência dessa convivência.
O resultado é um espaço onde vozes experientes ganham liberdade para se expressar, enquanto jovens artistas aprendem sobre emoções e técnicas adquiridas ao longo dos anos. Ao expandir fronteiras geracionais, o canto reafirma seu papel de ferramenta de inclusão e realização pessoal em Salvador.
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Crédito da imagem: Conexão In
Fonte: Conexão In
