CPI Meta: Senado questiona lucros da big tech com crimes online
CPI Meta: Senado questiona lucros da big tech com crimes online abre investigação sobre o suposto faturamento bilionário obtido pela multinacional dos Estados Unidos com anúncios de golpes, fraudes e conteúdos ilegais veiculados no Facebook, Instagram e WhatsApp.
CPI foca em ganhos com anúncios suspeitos
Na última terça-feira (24 de fevereiro), a Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado pressionou a Meta a explicar estimativas que apontam US$ 16 bilhões em receitas, só em 2024, decorrentes de campanhas que violam a lei. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que tais valores corresponderiam a cerca de 10% da renda anual da companhia e poderiam incentivar a manutenção desses conteúdos.
Criptografia e responsabilidade
Vieira criticou a expansão da criptografia de ponta a ponta, argumentando que a medida dificulta o acesso das autoridades a provas de crimes virtuais, inclusive de exploração sexual. Segundo o parlamentar, a proteção à privacidade não deveria servir como escudo para a impunidade, e a falta de concorrentes globais favoreceria a postura da empresa.
Posição oficial da Meta
Representando a big tech, Yana Dumaresq Sobral Alves, diretora de políticas econômicas para a América Latina, rejeitou a tese de lucro deliberado com atividades ilícitas. “Nosso interesse é manter as plataformas longe de atores maliciosos”, declarou. Ela informou que, em 2025, as equipes removeram 134 milhões de anúncios fraudulentos e desativaram quase 12 milhões de contas ligadas a golpes, resultados reconhecidos por órgãos de segurança e decisões judiciais.
Perguntas sem resposta
Apesar das justificativas, a executiva não detalhou se os sistemas detectam automaticamente imagens de abuso sexual infantil nem esclareceu limitações da criptografia ou critérios algorítmicos que priorizam conteúdos políticos. Diante das lacunas, o relator prometeu reconvocar o diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, para prestar novos esclarecimentos.
Processos e investigações no exterior
Paralelamente, a Meta enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos por, supostamente, facilitar a exploração sexual de menores. Em dezembro de 2025, documentos internos vazados mencionados pela agência Reuters sugeriram esforços da empresa para evitar regulações mais rígidas contra anúncios enganosos, tema que também despertou questionamentos na CPI.
Regulação em debate
Alessandro Vieira defendeu a aprovação de leis específicas para responsabilizar plataformas digitais por conteúdos criminosos e proteger usuários. “Temos um problema gravíssimo nesse avanço digital e precisaremos chegar a um ponto de regulação”, resumiu.
No momento, a comissão aguarda documentos adicionais da Meta e os próximos depoimentos para definir possíveis recomendações legislativas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
