Greve de fome em Caracas: familiares exigem libertação de presos
Greve de fome em Caracas: familiares exigem libertação de presos é o protesto que já ultrapassa 96 horas, conduzido por dez mulheres que permanecem diante de uma delegacia da Polícia Nacional Bolivariana para pressionar pela saída dos seus parentes detidos.
Greve de fome em Caracas: familiares exigem libertação de presos
O grupo iniciou a manifestação às 6h do sábado, 14 de fevereiro, estendendo colchões sobre a calçada da chamada Zona 7, em Caracas. Segundo o ativista Diego Casanova, do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos, uma das mulheres desmaiou 48 horas depois do início do ato e precisou ser levada de táxi a um hospital por falta de ambulâncias.
As manifestantes, com idades entre 23 e 46 anos, acusam o Estado venezuelano de indiferença. Em publicação na rede X, a ONG responsável pelo acompanhamento jurídico alertou para o “grave risco à vida” tanto das mulheres quanto dos presos políticos que, dentro da delegacia, aderiram ao mesmo protesto e já passam de 120 horas sem alimentação.
Impedimento de atendimento e promessas não cumpridas
Na segunda-feira, policiais impediram a entrada de soro destinado aos detentos, informou a organização. Um quadro improvisado fixa o tempo decorrido sem comida, enquanto uma faixa escrita “Liberdade para todos” em espanhol resume a reivindicação.
A greve foi deflagrada após o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, prometer em 6 de fevereiro libertar “todos” os presos políticos assim que a lei de anistia fosse votada, previsão que ele próprio estimou para a sexta-feira seguinte. Mesmo com a soltura de 17 detidos no sábado, familiares apontam que a maior parte continua atrás das grades.
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Novo cenário político e pressões internacionais
O debate sobre a anistia ocorre no que o governo definiu como “novo momento político”. A vice-presidenta Delcy Rodríguez assumiu interinamente em janeiro, após o presidente Nicolás Maduro ter sido detido por militares norte-americanos, episódio que abriu tensão diplomática com Washington.
Entidades de direitos humanos, como a Reuters, acompanham a mobilização e alertam para a necessidade de acesso imediato a serviços médicos e diálogo com autoridades, a fim de evitar complicações de saúde irreversíveis.
Enquanto esperam resposta oficial, as grevistas mantêm-se deitadas, consumindo apenas água. Elas afirmam que a paralisação terminará apenas quando receberem confirmação escrita da libertação total dos presos políticos na unidade.
No desfecho do protesto, a expectativa recai sobre a votação da lei de anistia e o comprometimento público das autoridades. Até lá, familiares e detentos seguem sem alimentação, transformando a calçada da Zona 7 no principal palco da crise carcerária venezuelana.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
