Fraudes do Banco Master: Senado cria comissão investigativa mobilizaram a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que instalou, na última quarta-feira (4 de fevereiro), uma subcomissão para acompanhar o caso estimado em até R$ 17 bilhões.
Fraudes do Banco Master: Senado cria comissão investigativa
O novo colegiado, apelidado de Comissão do Master, reúne 13 senadores e será conduzido por Renan Calheiros (MDB-AL). Para o parlamentar, trata-se da “maior fraude bancária da história brasileira”, razão pela qual promete “nenhuma omissão” diante de eventuais culpados.
Poderes ampliados para quebra de sigilo
Calheiros explicou que a subcomissão pode solicitar ao plenário do Senado a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, amparada pela Lei Complementar 105/2001. O grupo também poderá realizar diligências, visitar autoridades e convocar investigados e testemunhas.
Banco Central na linha de frente
Antes mesmo da primeira reunião formal, os senadores se encontraram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a demora na liquidação do Banco Master. O colegiado pretende ouvir Galípolo oficialmente, pois “no sistema financeiro tudo fica registrado”, segundo Calheiros.
Reunião com o presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá receber questionamentos por escrito sobre encontro ocorrido com o controlador do Master, Daniel Vorcaro. Para Renan, as respostas presidenciais podem “ajudar na investigação” conduzida pelo Senado.
Tentativa de venda ao BRB e pressão sobre o TCU
Outro foco é a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público vinculado ao governo do Distrito Federal. Senadores buscam esclarecer se houve pressão de dirigentes do Banco Central para que o BRB adquirisse a instituição “quebrada”.
Calheiros também acusa parlamentares de tentar influenciar o Tribunal de Contas da União (TCU) a reverter a liquidação do Master. Segundo o senador, a manobra incluiu tentativa de elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para R$ 1 milhão, medida que beneficiaria correntistas do banco em caso de falência.
CPIs em paralelo
Enquanto isso, pedidos de criação de comissões parlamentares de inquérito (CPIs e CPMIs) tramitam no Congresso. Uma CPMI protocolada pela oposição já possui assinaturas suficientes e aguarda decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Outras solicitações partem de deputados como Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Heloísa Helena (PSOL-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). O Partido dos Trabalhadores sinalizou apoio às iniciativas que não politizem o processo.
Próximos passos
A Comissão do Master deve definir, nas próximas reuniões, o calendário de depoimentos, os pedidos formais de informação e eventuais quebras de sigilo. Renan Calheiros reiterou que o trabalho não concorrerá com futuras CPIs, mas servirá de “complemento técnico” à fiscalização do sistema financeiro, atribuição da CAE.
O desfecho da investigação, segundo o relator, buscará esclarecer a extensão das fraudes, a participação de agentes públicos e privados e a eventual responsabilização dos envolvidos, em benefício dos investidores lesados.
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Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
