Excesso de peso atinge 62,6% da população brasileira, revelam dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados em 28 de janeiro de 2026 pelo Ministério da Saúde. O levantamento, que monitora hábitos e condições de saúde nas 27 capitais, mostra avanço de 20 pontos percentuais em 18 anos.
Excesso de peso atinge 62,6% da população brasileira
Segundo o Vigitel, a proporção de adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25 kg/m² passou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. Nesse período, a obesidade — definida por IMC igual ou superior a 30 kg/m² — dobrou, saltando de 11,8% para 25,7% dos brasileiros.
O cenário também é preocupante para outras doenças crônicas. O diagnóstico médico de diabetes avançou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024, enquanto a hipertensão subiu de 22,6% para 29,7%. Para especialistas da Organização Mundial da Saúde, a combinação de ganho de peso, sedentarismo e envelhecimento populacional aumenta o risco de complicações cardiovasculares.
Atividade física e alimentação
A prática de atividade física no deslocamento urbano caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, reflexo do maior uso de carros de aplicativo e transporte público. Em contrapartida, a atividade física moderada no tempo livre cresceu de 30,3% para 42,3% no mesmo período, indicando adesão crescente a academias e esportes recreativos.
O consumo regular de frutas e hortaliças manteve-se praticamente estável, variando de 33% em 2008 para 31,4% em 2024. Já a ingestão de refrigerantes e sucos artificiais ao menos cinco vezes por semana caiu de 30,9% para 16,2%, tendência considerada positiva pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Ainda assim, os avanços na alimentação e no exercício não têm sido suficientes para frear a escalada das doenças crônicas”, afirmou.
Sono: novo indicador em pauta
Pela primeira vez, o Vigitel avaliou a qualidade do sono. Dos adultos entrevistados, 20,2% relataram dormir menos de seis horas por noite e 31,7% apresentaram pelo menos um sintoma de insônia. A prevalência é maior entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%). Padilha destacou que a falta de sono reparador “tem relação direta com ganho de peso, piora das doenças crônicas e saúde mental”.
Estratégia Viva Mais Brasil
Diante dos resultados, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, que reunirá R$ 340 milhões para promover hábitos saudáveis. O programa retoma a Academia da Saúde, com investimento de R$ 40 milhões até 2026, e articula ações de alimentação equilibrada, prática esportiva e cuidados integrados no Sistema Único de Saúde (SUS) e no setor privado.
Entre os dez compromissos do Viva Mais Brasil estão “mais movimento e vida ativa”, “mais alimentação saudável”, “menos tabaco e álcool” e “mais cultura de paz”. A meta é apoiar a população na adoção de rotinas que reduzam fatores de risco e melhorem a qualidade de vida.
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Crédito da imagem: Walterson Rosa/MS
Fonte: Agência Brasil
