A 5ª Vara do Trabalho de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, determinou que uma mulher de 59 anos receba indenização de R$ 1,4 milhão após reconhecer que ela foi mantida por 42 anos em condição análoga à escravidão.
A mulher trabalhava como empregada doméstica para uma família do município. A decisão foi publicada no dia 19 de janeiro deste ano e cabe recurso.
Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), a trabalhadora, uma mulher negra, foi submetida a uma “senzala contemporânea”. Ela chegou à residência da família em março de 1982, aos 16 anos, para trabalhar em período integral como empregada doméstica.
Durante cerca de 40 anos, trabalhou sem receber salário, sem férias, sem folgas e vivendo em um cômodo precário nos fundos da casa.
O TRT informou que a mulher não teve oportunidade de concluir os estudos e, por ser muito jovem, não tinha conhecimento sobre seus direitos trabalhistas, o que contribuiu para que permanecesse em situação de exploração.
Atualmente, aos 59 anos, a trabalhadora relatou que passou a sofrer tentativas de expulsão da residência, incluindo o trancamento de armários com alimentos.
