Vacinação contra covid-19 completa cinco anos e doença ainda preocupa
Vacinação contra covid-19 completa cinco anos no Brasil, período em que as hospitalizações e óbitos caíram de forma acentuada, mas a cobertura vacinal insuficiente mantém o coronavírus como ameaça, segundo dados oficiais e especialistas.
Recuo expressivo, porém desigual
Levantamento do Ministério da Saúde mostra que, em 2025, foram distribuídas 21,9 milhões de doses, porém apenas 8 milhões chegaram ao braço da população — menos de 40% do total. Paralelamente, o monitoramento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) registrou 10.410 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à covid-19 e cerca de 1,7 mil mortes confirmadas por exame laboratorial no mesmo período. Pesquisadores do sistema Infogripe classificam o coronavírus como “um dos vírus respiratórios mais ameaçadores” em circulação.
Grupos vulneráveis seguem em risco
Crianças abaixo de dois anos formam o segundo grupo mais suscetível a complicações, atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025 foram notificados quase 20,5 mil episódios de SRAG nessa faixa etária, resultando em 801 óbitos. Mesmo em cenário de controle relativo, 2025 registrou 2.440 internações e 55 mortes de crianças pequenas. Além disso, o país confirmou mais de 2,1 mil casos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) desde 2020, condição rara que apresenta letalidade em torno de 7%.
Vacina demonstra eficácia e segurança
Estudo conduzido em São Paulo acompanhou 640 crianças e adolescentes vacinados com CoronaVac: somente 56 contraíram covid-19 e nenhum evoluiu para quadro grave. No biênio 2022-2023, mais de 6 milhões de doses pediátricas foram aplicadas em todo o Brasil, com eventos adversos majoritariamente leves, segundo o monitoramento federal.
Calendário oficial e doses de reforço
Incluída no Programa Nacional de Imunizações desde 2024, a vacina é recomendada da seguinte forma:
- Bebês a partir de seis meses: três doses no primeiro ano de vida;
- Gestantes: uma dose a cada gravidez; puérperas recebem uma se não imunizadas durante a gestação;
- Idosos e imunocomprometidos: reforço semestral;
- Pessoas em situação de rua, residentes em instituições, profissionais de saúde e outros grupos especiais: reforço anual;
- Público de 5 a 59 anos não vacinado: esquema de dose única.
Apesar da recomendação, apenas 3,49% dos bebês com menos de um ano haviam sido imunizados em 2025. O Ministério da Saúde afirma estar consolidando dados por faixa etária para corrigir possíveis subnotificações.
Percepção de risco e desinformação
Especialistas atribuem a baixa adesão à falsa sensação de segurança após o recuo das mortes. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a queda na percepção de risco abriu espaço para campanhas antivacina alimentadas por informações falsas. “Quando o perigo parece distante, a desinformação encontra terreno fértil”, resume a médica.
Profissionais de saúde são apontados como peça-chave para recuperar coberturas. A atualização constante desses profissionais e a recomendação ativa da vacinação durante consultas são estratégias consideradas fundamentais.
Mesmo com números inferiores aos observados no pico pandêmico, especialistas reiteram que a vacinação contínua é a melhor barreira contra novas ondas, especialmente diante da possibilidade de variantes mais transmissíveis surgirem a qualquer momento.
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Crédito da imagem: Raquel Portugal/Fiocruz
Fonte: Agência Brasil
